Nov 08 2013

Programação 4ª FLAPOA

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Está no ar a programação completa da  4ª Feira do Livro Anarquista de Porto Alegre! Estamos disponibilizando-a aqui no site em dois formatos, uma em pdf com as descrições completas de cada atividade aqui e outra em formato de imagem que você baixa aqui.

• Sexta-feira, 15 de novembro

Onde: Espaço Deriva/Clube de Cultura – Ramiro Barcelos 1853

17h. Abertura.

18h. “Seguirei lutando enquanto você não acorda: Homenagem a Samuel Eggers”. Resumo: Leitura aberta de trechos escolhidos dos escritos do companheiro Samuel Eggers, seu entendimento político e de sua história. Samuel foi assassinado em 13 de setembro deste ano, na cidade de Caxias, depois de participar de um congresso científico apresentando pesquisas na área de psicologia e sua filiação a filosofia anarquista. As principais hipóteses sobre sua morte é que ele foi assassinado por grupos fascistas ou pela polícia militar por se declarar abertamente crítico do atual estado de violência policial, se autodeclarando anarquista.

19h. Debate de abertura da feira: “Práticas e perspectivas anarquistas na atualidade”.

• Sábado, 16 de novembro

Onde: Ateneu a Batalha da Várzea – Travessa dos Venezianos

10h. “Pequenos Passos em Direção à Utopia por um Ciberativismo de Quintais,Cafés e Noites Estreladas. Sobre práticas libertárias em Araranguá (SC)”. Resumo: A ideia é revisitar um pouco sobre o que tem sido feito de prático em Araranguá e região em relação a experiências autogestionárias, desafios libertários e propostas de relações horizontais entre coletivos e movimentos. Apresentar a metodologia da Colmeia, Ideias em Cooperação como catalisadora de projetos libertários e ouvir outras experiências vivas de quem participar da roda de conversa. Falaremos das experiências locais como as oficinas libertárias, a horta coletiva, o provedor comunitário livre, a rádio sofia livre, a antieditora, a escola democrática rio dos anjos, a formação da cooperativa de compras coletivas e a formação da rede de produtores e consumidores locais e outras experiências incipientes em nossa comunidade. Exemplos práticos nos quais o apoio mútuo e autogestão estão no centro de todas as atividades.

“Anarquismo e Libertação Animal”, com Ação Antisexista e outrxs. Resumo: Proposta de aprofundamento sobre a Libertação Animal: A comunidade anarquista muitas vezes faz objeções a Libertação Animal, ou prefere ignorá-la. Trazemos ao debate uma análise do contexto atual e conexões com as ideias anarquistas, pois acreditamos na libertação total. Criticamos as organizações veganas mainstream que não nos representam, tendo abordagens sexistas, reformistas e consumistas, e defendemos que a Libertação Animal não se resume a uma dieta.

14h. Oficinas:

“Confecção de abiosorventes”, com Mel. Resumo: Absorventes de pano, ecológicos e não tóxicos.

“Jardinagem de guerrilha”, com a Comuna do Arvoredo. Resumo: cultivar em espaços urbanos, públicos ou privados, com as ferramentas e materiais disponíveis na cidade/bairro. Podemos fazer desde bombas de sementes, para serem espalhadas pela cidade, ou em okupações verdes em terrenos baldios e praças.

“Serigrafia instantânea”, com Tharcus Aguilar.

“Oficina de Stencil e colagem para jovens e crianças”, com Trampo.

16h. Lançamentos de livros:

“Autobiografia de um Irredutível”, de Cláudio Lavazza. Resumo: O livro é a autobiografia de Claudio Lavazza, anarquista italiano atualmente sequestrado pelo Estado Espanhol quando detido na fuga de uma expropriação a um banco, onde mata duas policiais em defesa de sua vida e de seus companheiros. Nessa Apresentação se pretende fazer um paralelo com o momento que vivemos hoje em nossa realidade.

“Tesouras Para Todas”, Ed. Subta e Ed. Deriva. Resumo: Compilação de textos sobre a violência machista nos movimentos sociais, publicado originalmente na Espanha, sob o título ‘Tijeras para Todas’.

“Teoria Política da Organização Anarquista”, FAG (Federação Anarquista Gaúcha).

“O que devemos fazer”, de Liev Tolstoi, Ed. Deriva. Resumos: Atividade de lançamento da versão em português do livro pela Editora Deriva.

18h. “Oficina de RAP móvel”, com Parrhesia Radio Web. Resumo: Oficina de uma a duas horas de RAP e notícias com parrhesia radio web, transmitida via internet.

“Roda de Capoeira Angola e troca de ideia”, com Africanamente. Resumo: Roda na Travessa, com um momento para troca de ideia sobre capoeira e liberdade.

Ao longo do dia: Espaço de troca e distribuição de sementes.

• Domingo, 17 de novembro

Onde: Espaço Deriva/Clube de Cultura – Ramiro Barcelos 1853

10h. “A solidariedade como arma – respondendo à repressão”. Resumo: Como responder a repressão a partir da solidariedade ácrata, por que não cair no imobilismo nem na inocente confiança dos mecanismos do estado.

“Autodefesa feminista”: Oficina com Coletivo de Autodefesa Feminista – Cadfem (espaço exclusivo p/ mulheres e lésbicas). Resumo: Autodefesa feminista para mulheres, lésbicas e pessoas trans. Exclui a participação de homens cis.Breve relato do surgimento do grupo de auto defesa feminista de Porto Alegre, dicas para criação de outros grupos e oficina.

14h. “Autonomia e Movimentos Sociais”, com Frente Autônoma. Resumo: Autonomia é um conceito sobre o qual muito se tem falado e pouco se tem debatido. Em meio a um momento de crise organizacional, nos propomos realizar um bate-papo para reconstruirmos, juntxs, os diversos atravessamentos da prática autônoma e para discutirmos o papel de uma Frente Autônoma nos movimentos sociais. A ideia é trocar conhecimentos, saberes, experiências, estratégias, táticas, anseios, afetos, preocupações, vontades e propostas em torno dos lugares ocupados pelos coletivos autônomos que atuam na luta das ruas. Assim, problematizaremos questões como a autodefesa, a horizontalidade, a pluralidade e a hegemonia, a fim de potencializarmos nossas formas de organização e afinarmos o que acreditamos serem nossas práticas libertárias nesse meio.

“Autoria x Autoridade”, por uma epistemologia anarquista, com chuy.

“Confecção de jardins comestíveis suspensos”, com Comuna do Arvoredo.

16h. “Justiça e anarquia”. Resumo: A vontade dessa troca de ideias é discutir e debater sobre os sentidos que, como anarquistas, damos a uma palavra/conceito como “justiça”. O “justo” hoje é definido pelo sistema judicial através das leis feitas pelxs mesmxs que quotidianamente tentam nos oprimir e dominar; a prisão serve de castigo para quem não as respeita. Questionar a prisão como instituição é ao mesmo tempo questionar todo um sistema, os seus mecanismos de controle e uma sociedade que nos ensina desde crianças o que é “justo” e como devem de ser resolvidos os “problemas”. A proposta desse bate papo é então questionar e desconstruir esse conceito para logo nos propor debater sobre “outras formas” além da “justiça institucionalizada” de “resolver” os “problemas”, tomando vários exemplos históricos e atuais, tanto de comunidades como experiências de lutas.

“Cypherpunk e criptografia básica”, Oficina. Resumo: À medida que nossas vidas migram para os computadores e para a rede, os estados se mostram cada vez mais totalitários com suas possibilidades de vigiar todos os nossos passos. Com isso, a proteção de nossas informações digitais se torna cada vez mais importante na preservação de nossa privacidade e de nossa liberdade política. Essa oficina pretende explicar algumas noções básicas sobre criptografia, estabelecer sua importância, e fornecer alguns exemplos de medidas simples, mas de grande impacto, que podem ser adotadas por qualquer pessoa para proteger seus dados e suas comunicações.

“Oficina de teatro para crianças”. Responsável: Marcelo e amigx. Resumo: Ação física a partir do teatro para crianças. Sobre esta oficina se pode dizer que está enfocado a dinâmicas corporais, entendendo estas dinâmicas a partir de um trabalho de respiração-movimento, a dissociação e exercícios de improvisação…

18h. “Sarau musical – traga sua arte”. Convidadxs: Performance Me amo Você (com Patrícia Maya e Diego Vieira) Eduardo Solaris. Resumo: A ideia é realizar um sarau musical aberto à participação das pessoas presentes. Algunxs convidadxs confirmadxs trarão poesia e músicas de resistência e protesto da época da ditadura, além de performances como Me amo você, uma reflexão sobre o amor contemporâneo, o machismo e o narcisismo de nossa sociedade.

“Gênero, Poder e Violência nos mitos gregos”, com Paulina Terra Nólibos. Resumo: Mitologia grega é um tema fascinante, de grande impacto no imaginário ocidental, que, infelizmente, tende a ser abordado como uma sequência de narrativas sem valor político ou social, vistas meramente como histórias de entretenimento. Contrariamente a isso, autores das áreas de História, Filosofia e Psicologia tem apontado a gravidade das questões que a mitologia grega aborda, como a violência contra a mulher numa sociedade patriarcal (nossa principal referência no Ocidente), a guerra e os discursos pacifistas que surgem contra a cultura hegemônica, o papel da homossexualidade, o exercício do poder, a escravidão, a submissão e a revolta. Como historiadora, filósofa e arteterapeuta, gostaria de discutir autores e livros que, nas últimas décadas, estabeleceram novos olhares e leituras consistentes sobre o tema, apresentando diferentes interpretações e articulando mitologia à crítica social e proposições alternativas sobre a sociedade civil, seus direitos e sua representação no imaginário antigo.

Ao longo do dia: “1ª Mostra do Vídeo Anarquista de Porto Alegre”. Resumo: Exibição contínua de audiovisuais nacionais e internacionais, lançados nos anos de 2012 e 2013, documentários, curtas e longa-metragens, relacionados ao anarquismo em suas diversas formas e manifestações. Traga sugestões de vídeos para construir este espaço!.

“Hackerspaço”. Resumo: Ponto de encontro para troca de informações, instalação de software, tentativa de resolução de problemas relacionados a tecnologia em geral, e o que aparecer.

Todos os dias: Bancas de livros e materiais anarquistas de diversas editoras e coletivos! Haverá também espaços com alimentos e bebidas, traga sua caneca!

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Nov 08 2013

Galeria de cartazes para divulgação

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Escolha o cartaz que você mais gosta e ajude a divulgar a 4ª FLAPOA!

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Oct 13 2013

Última semana para propor Oficinas e Debates

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Chamada para propostas de oficinas e debates.

É com a necessidade de combater qualquer forma de poder e relação hierárquica, e com vontade e ânsias por compartilhar diversas experiências de luta, que convidamos aos diversos grupos e individualidades que gostariam de propor alguma atividade, oficina ou debate que impulsionam e intensificam a criatividade e procuram constantemente uma vida liberada, para que a teoria desborde na pratica das nossas vidas cotidianas.

Envie para nós as suas propostas para a participação na feira do livro anarquista de Porto Alegre, nos dias 15,16 e 17 de novembro!

Por uma questão prática de organização, pedimos axs interessadxs para que mandem suas propostas até o dia 20 de outubro para o email: flapoa [em] libertar . se

Por nossas vidas!
Saúde e Anarkia!

https://we.riseup.net/assets/157345/AfiPorto-01.png

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Sep 24 2013

Llamada para la 4ª Feria del Libro Anarquista de Porto Alegre

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En los días 15, 16 y 17 de noviembre se llevara a cabo la cuarta Feria del Libro Anarquista de Porto Alegre donde se realizara la 1º muestra de videos anarquistas de la ciudad. En esta cuarta edición de la feria, una vez más convidamos e invitar a las personas interesadas y colectivos comprometidos a traer sus materiales y participar en la organización, con el objetivo de fortalecer, propagar los ideales y las prácticas anarquistas.

En tiempos de tormenta, en donde la revuelta se toma las calles, y las ráfagas de acciones e ideas rompieron con la normalidad, estos espacios son cada vez más importantes para el intercambio de materiales, tales como libros, películas y revistas, tambien para llevar a cabo intervenciones, talleres y diálogos. Es hora de seguir alimentando los ideales libertarios, marcados por los valores de la libertad, la solidaridad, la autogestión, la autonomía y el apoyo mutuo.

Invitamos a todxs a conocer los ideales anarquistasasí como tambien sus diversos frentes ocupados, en una lucha para superar los prejuicios y las formas de alienación diseñadas por los medios de distracción masiva.

Para proponer actividades para la feria y presentar sus películas, por favor, póngase en contacto con nosotros vía e-mail flapoa@libertar.se, o a través de la red we.riseup (grupo 4flapoa). Comprobar actualizaciones del sitio flapoa.deriva.com.br

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Sep 24 2013

Chamada para a 4ª Feira do Livro Anarquista de Porto Alegre

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Nos dias 15, 16 e 17 de novembro acontece a 4ª Feira do Livro Anarquista de Porto Alegre e a 1ª Mostra de Vídeos Anarquistas da cidade. Nesta quarta edição da feira, uma vez mais convidamos pessoas interessadas e coletivos engajados para trazerem seus materiais e participarem da organização, com o objetivo de fortalecer e propagar práticas e ideais anarquistas.

Em tempos de tormenta, em que a revolta tomou conta das ruas, rajadas de ações e ideias rompem a normalidade. Estes espaços são cada vez mais importantes para a partilha de materiais como livros, filmes e zines; e para a realização de intervenções, oficinas e diálogos. É momento para continuar alimentando os ideais libertários, marcados por valores de liberdade, solidariedade, autogestão, mutualidade e autonomia.

Convidamos a todxs a conhecer os ideais anarquistas e os diversos frontes ocupados pelxs anarquistas, em uma luta pela superação dos preconceitos e das formas de alienação disseminadxs pelos meios de distração em massa.

Para propor atividades para a feira e enviar seus filmes para a mostra, entre em contato através do e-mail flapoa@libertar.se, ou através da rede we.riseup (grupo 4flapoa). Confira atualizações no site flapoa.deriva.com.br

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Dec 27 2012

Reflexões sobre anarquismo, a partir da 3ª FLAPOA – Rodrigo Gagliano

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OS ANARQUISMOS NO BRASIL HOJE1

Os anarquismos contemporâneos no Brasil são, sobretudo, frutos de uma cultura livresca, apesar de todas as dificuldades para isso. Ainda falta volume editorial. Ainda não criamos volume social em nossas ações e formas de existência.

Por conta duas ditaduras, a de Getúlio Vargas e a dos milicos de 1964, houve um cisma entre as gerações de anarquistas, os de hoje e os de ontem. Tentamos recuperar os nossos rastros históricos – em muito apagados por nossos inimigos estatistas de todas as denominações – das gerações do fim do século 19 e início do 20 e do movimento renascente a partir da década de 1970. Essa geração do renascimento tem muita coisa arquivada e, por motivos que somente ela pode esclarecer, ainda não divulgada massivamente. Ouvi a fala de um compa dos anos 1970, de O Inimigo do Rei, e outro, dos 1980, punk das antigas, e ambos dizem dessa falta com o movimento…

Os anarcopunks, híbridos autocriados a partir do encontro de duas espécies diferentes, os punks e os velhos anarcossindicalistas sobreviventes, pela década de 1980 e começo da seguinte, foram capazes de criar barulho, nos principais centros urbanos do país. Já hoje, o movimento anarcopunk persiste, porém, deu uma arrefecida em seus ímpetos… As suas guitarras tem feito muito mais que os coquetéis molotov.

De meados da década de 1990 adiante, o movimento anarquista, com seus múltiplos prefixos ou adjetivos, se transformou em QUASE tão somente um movimento culturalista em que ações são particularmente formulações de festas e outros eventos, como debates, encontros e congressos, PRATICAMENTE, restritos aos guetos e às universidades, de alguma forma, nessas ocasiões, também transformadas em guetos temporários. Nesses anos, em um ou outro evento que estive para além do gueto, como foi, dessa vez, a 3ª Feira do Livro Anarquista de Porto Alegre, acontecida entre os dias 16 e 18 de novembro agora, 2012.

A feira, com consentimento do estado, em sua esfera municipal, aconteceu num espaço de cultura daquela cidade chamado Gasômetro. Digo isso apenas como provocação e um dos indícios de que os anarquismos aqui no país sequer causam algum receio ao estado e outros poderes… Somos bichos domados e domesticados? Parece que sim…

Da feira participaram quase somente adultxs, a maioria era da própria cidade, mas contávamos com pessoas de outras províncias brasileiras, principalmente, da região sul deste país, como eu mesmo, algumas pessoas oriundas de outros lugares como Argentina, Uruguai e Espanha. E, para variar, no evento, como é comum no Brasil, mais uma vez, esquecemos as crianças, sua presença, sua curiosidade e seus interesses… Continuamos esquecendo as futuras gerações como se elas não fossem também protagonistas de mudanças nesse país. Por que não deixamos as crianças e mais jovens participarem da anarquia? Poderíamos pensar ainda nos mais velhos, onde estão os mais velhos? Não morreram…

Além de participar da montagem do espaço com as generosas pessoas que organizaram e tornaram possível o evento, de comprar livros que atiçaram minha curiosidade, participei de alguns bate-papos programados e ocorridos na feira.

Participei de conversas sobre gêneros, ou sobre a inexistência desejável deles, numa discussão anarcoqueer. E ficou a impressão que, apesar das críticas à sociedade capitalista e à heteronormatividade, com as quais concordo, estava surgindo uma outra forma de normatividade que conjuga amor livre e o queer, apontando como suspeitos e indesejáveis e autoritárias quaisquer expressões de performance sexual-amorosa hetero e monogâmica. Vi posturas intolerantes e autoritárias, deixando de lado afetividades e o fato de que xs amantes devem ser livres e não os modelos de relacionamento… Vi, o que me deixou perplexo, anarquistas utilizando, sob a sombra de autores pós-modernistas, como Foucault e Deleuze – os quais não consigo sequer qualificá-los de libertários, com suas filosofias conformistas – metáforas(?) com a temática das máquinas para seres humanos. O luddismo sexual que pregavam não quebrava as formas sociais que fazem xs humanxs serem tratadxs como máquinas, serem máquinas, queriam apenas trocar os programas. Programas? Era uma redução do humano em nós à mera performancidade sexual. Falavam abertamente em (re)programação, numa filosofia político-sexual para lá ruim… E quando questionadxs sobre as contradições sobre as quais se inclinavam tão respeitosamente achavam suficiente e aclarador dizer que a negativa à contradição era uma coisa nascida a partir do século 18… Como se coerência entre ideias, de discurso, entre vida e teoria, fosse uma exigência apenas do século 18 e, além do mais, necessariamente autoritária. Essa sexualidade des-afetiva se tornou um tema centralizador e aprisionante para aquelas pessoas… A sexualidade e seus desdobramentos existenciais e sociais não eram mais apenas uma de tantas questões que nós anarquistas nos propusemos a pensar e viver. Uma armadilha…

Também estive em outros dois bate-papos, com três temas históricos para o movimento anarquista: luta antimanicomial, luta antiprisional e educação libertária. Os três temas tinham algo em comum: ficou claro a impotência e falta de propostas de ação de nossa parte, anarquistas. Nossa criatividade social é escassa e tem insistindo em velhos caminhos… Há também um recuo histórico, assim como não dizemos mais, por esse país, “não vote” e dizemos “vote nulo”2, não dizemos mais “pelo fim das prisões”, mas pelo “abolicionismo penal”. Ambas as fórmulas dizem o mesmo? Creio que não… Para muitos, não se fala mais em abolir prisões, manicômios, quase se fala em melhorias, ou se fica nas nuvens das abstrações ancoradas APENAS em imaginárias microrrelações expostas em frases como essa “nós, anarquistas, deveríamos pensar como tratamos os loucos”. Vc conhece algum/a louca? Nem eu. Esses rótulos ainda têm pertinência para nós?

Nesse miolo todo, tratou-se da violência presente entre nós anarquistas, violência de gênero – homens batendo em mulheres – e violência sexual. Contou-se um caso ocorrido, recentemente, na cidade de Curitiba de um anarquista(?) ter batido em sua companheira. “Que fazer?” era a pergunta. E mais uma vez a impotência das respostas esteve presente. Não sabemos autogestionar nossa própria violência e caímos em fórmulas vagas de não-violência. Ou será que xs anarquistas acham que, se um dia, conseguirmos criar amplamente anarquias, isto é, sociedades anarquistas, isso por si só, como um sopro, espantará nossa violência? Não conseguimos dar conta dela nem no nosso gueto!!!

Anarquistas deste país, no ano que vem, entra em vigor a lei antiterrorismo, estamos preparados? E, nesta famigerada lei, se será enquadrado por muito pouco como terrorista… Como faremos se formos para as prisões? Os presos têm dado demonstração efetiva de estarem se organizando politicamente, o que é bom, mas já perceberam que tipo de política? Tão opressora e hierárquica quanto a política do estado… Como lidaremos com isso lá dentro? Se, obviamente, sairmos de nossa cordeirice… E aqui fora, como formularemos nossa solidariedade com os de dentro?

Não tenho respostas para muitas dessas questões e sim a disponibilidade de diálogos, saindo das nuvens, e, penso yo, que apenas assim poderemos reativar nossa criatividade existencial e social e criarmos volume libertário nessa sociedade brutal, prisional e desigual.

São tantas perguntas que o meio anarquista brasileiro não tem sequer pensado ou tentado respondê-las… Sinto por nossa impotência!

Rodrigo C. Gagliano

1 Esse texto é inspirado pelo sentimento (re)vivido pela minha participação na 3ª Feira do Livro Anarquista de Porto Alegre e pela minha experiência como anarquista. É um texto impressionista, porém, talvez, toque em coisas importantes. Se aponto o dedo para xs anarquistas neste país, aponto também para mim mesmo…

2 Tem se argumentado que não votar trás problemas burocráticos no trabalho, para viajar, etc. Se não somos capazes de enfrentar isso, seremos capazes de quê? Isso pode pedir falsificações de documentos ou, quando muito, quando é mesmo muito necessário, pagar uma irrisória multa ao estado por nossa desobediência, porém, teremos marcado a mesma nas eleições…

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Dec 27 2012

Relato 3ª FLAPOA – Ação Antissexista

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A Feira do Livro Anarquista de Porto Alegre vem acontecendo anualmente desde 2010,  neste ano chegou à sua terceira edição.

A Feira foi bastante interessante, e bem diferente por ter acontecido num espaço público. Nas nossas reuniões até decidirmos pelo Gasômetro, a opinião geral de todos os coletivos envolvidos, era de fortalecer os espaços anarquistas da cidade, por isso a dúvida entre estes espaços e um espaço público gestionado pela prefeitura. O limite de espaço físico e outras questões nos fizeram optar pelo Gasômetro, um centro cultural. Tirado isso, com questionamentos e crítica, passamos a ver as vantagens, uma delas a do acesso ao anarquismo para todxs. Muito além de uma palavra ou teoria, este acesso se mostrou verdadeiro na prática, muitas pessoas que por ali circularam, e embora muitas sem intenção de irem à feira, acabaram entrando em contato com o anarquismo, participando de alguma forma, simpatizando ou mesmo não concordando.

As bancas com livros, zines, revistas e materiais diversos se propuseram mais do que à exposição, mas à interação e muito debate, ao fluxo de pessoas e idéias, e às impressões com tudo isso, como espaços assim costumam ser. As oficinas rolavam nos arcos, uma extensão do espaço das bancas, e no píer, com muito calor e vento.  Foi bonito de ver e participar deste ambiente, meio caótico, intenso, barulhento e por isso mesmo necessário, pra mexer com o conforto e o previsível.

Houveram duas oficinas fechadas para mulheres e uma para homens. E isso novamente mexeu com as pessoas, gerou discussão e desconforto. Bem, oficina para mulheres sempre é questionada, tratada como algo sectário. A sociedade é sectária, nos divide em seres binários, bipolariza nossas ações, sentidos e emoções em função de gênero, e é por isso que precisamos nos organizar muitas vezes entre nós mesmas para decidirmos pelos problemas das quais apenas nós passamos, para não dizer sofremos. Desta forma, proporcionamos e incentivamos que sejamos as agentes das decisões que dizem respeito a nós somente, coisa que a sociedade não nos incentiva a fazer, pelo contrário, padroniza que nossas vidas estejam nas mãos de nossos pais, irmãos, maridos e também filhos (mostrando quanto o sistema de hierarquias é “flexível”), sendo eles os que “sabem o que é melhor para nós”, tomando decisões que nos dizem respeito.

A oficina para homens foi menos questionada, mas ainda assim com alguns olhares tortos. Algumas oficinas somente para homens têm intenção de vitimizar os homens e ofuscar os problemas das mulheres, ou mesmo ser uma “resposta” ao feminismo – como se o feminismo fosse um assunto isolado, ou que defendesse a superioridade das mulheres – designando que os homens passam por problemas opostos proporcionalmente iguais, ignorando os privilégios dos quais os homens detêm, mesmo quando a seu contragosto.  Que os homens passam por problemas de gênero, isto é inegável, mas de um ponto de vista privilegiado, o que difere bastante as experiências que vivem, mesmo que nem sempre positivas. Não foi o caso desta oficina, que pelo contrário, propôs a desconstrução da masculinidade e reflexão dos privilégios masculinos.

Ainda sobre as questões de gênero, das quais nosso coletivo propõe trazer para o debate como parte da luta anarquista, nossa banca foi bastante freqüentada por aquelxs que se afinizam e se interessam pelo anarcofeminismo, e tivemos a oportunidade de conversar bastante e conhecer pessoas e coletivos, o que sempre nos deixa muito motivadxs. Alguns homens porém  a repudiaram. Não digo pessoas porque foram alguns homens apenas que na feira criticaram o conteúdo anarcofeminista da nossa banca, ou que expuseram isso, talvez porque os homens se sintam mais à vontade de fazerem críticas, ou porque de alguma forma sentiram ameaçadas suas crenças. Muitas das interações foram no sentido de explicarmos o porquê das nossas reivindicações e fomos acusadxs de nos focarmos numa coisa só. Pra começar nós não estamos focadxs numa coisa só, pelo contrário, a intenção é incluir o feminismo como questão fundamental na luta por igualdades, nós realmente não acreditamos em anarquismo sem feminismo. É muito cansativo ver que ainda existe a idéia que temos que esquecer as diferenças e nos unirmos por uma causa “mais importante”- neste caso a anti-civilização. Por que haveríamos nós de deixarmos de lado os males que nos afligem?  Quem decide qual causa é mais importante para quem, x oprimidx ou quem tem o poder em suas mãos para oprimir? As distintas lutas ao contrário de se divergirem se conectam. Não pode ser mais incoerente reivindicar “união” por uma causa – que alguém julga mais importante – porque ela afasta, ela não mostra compaixão ou companheirismo, ela se disfarça em união com o único propósito de que esqueçamos das nossas lutas específicas, do tratamento e oportunidades diferenciados que temos, para nos transformarmos em massa de manobra. A solidariedade é uma das questões mais importantes do anarquismo, se não sabemos nos solidarizar, se não podemos compreender as dificuldades pelas quais não passamos e as reivindicações que surgem dessas dificuldades, estaremos sendo insensíveis e incoerentes enquanto anarquistas. A solidariedade derruba dogmas e instituições, as ameaça e enfraquece, por isso se diz que a solidariedade é uma arma.

Mas podemos dizer que muito mais foram as pessoas que se interessaram positivamente, muitxs foram xs que gostaram das bancas, materiais e das oficinas sobre gênero e que comentaram que estavam entusiasmadxs por verem na feira o feminismo tão presente.

A Feira rolou intensa. Importante dizer que mais uma vez foi fundamental a colaboração das pessoas que vieram de outras localidades, diversificando o espaço e tornando-o mais atrativo, além de propiciar os intercâmbios diversos. A feira aconteceu, e nos faz refletir de sua importância quanto a um espaço para encontro, troca e difusão das idéias libertárias. Que as feiras anarquistas continuem se espalhando pelo mundo.

Enila Dor.
ação anti sexista
26.12.2012

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Dec 27 2012

Compartilhando impressões da 3ª FLAPOA

Seja bem vindx à 3ª Feira do Livro Anarquista

A 3ª Feira do Livro Anarquista de Porto Alegre aconteceu nos dias 16, 17 e 18 de novembro, na Usina do Gasômetro, com a realização de várias atividades, oficinas, bate-papos, filmes, festa e conversas. Mais uma vez, foi um espaço super importante para propagar as ideias e as práticas anarquistas, permitindo o encontro de pessoas vindas de diferentes lugares – São Paulo, Florianópolis, Curitiba, Brasília, Buenos Aires, Uruguai, Espanha, França e provavelmenta mais alguns que não ficamos sabendo – estabelecendo contatos, redes e ideias para continuar nossas atividades libertárias.

Algumas das pessoas que vieram prestigiar e contribuir com a FLAPOA deste ano, são pessoas envolvidas com o anarquismo há muitos anos, e que participaram de ações há algumas décadas atrás. Elxs nos ensinaram sobre a importância de ter registro das atividades que fazemos, e guardar isto para passar para as próximas gerações. Então convidamos todxs aquelxs que participaram da 3ª FLAPOA a compartilhar conosco suas impressões, seus comentários, suas fotos, suas críticas.

Mande seu texto/foto/desenho/ideia  sorbe a FLAPOA para o email flapoa[a]libertar.se para compartilharmos aqui e continuarmos trocando, aprendendo e nos conectando mesmo depois da feira. Àquelxs que propuseram oficinas e bate-papos, pedimos que compartilhem materiais sobre o tema que propuseram, para que as pessoas que não puderam participar, possam acessar essa infromação por aqui.

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Nov 20 2012

Aconteceu na 3ª FLAPOA

Published by admin under 3a Feira - 2012,Fotos,Relatos

Lançamentos de livros da Editora Deriva: Apoyo Mútuo (Kropotkin), De amor e anarquia (várixs autorxs), Hakim Bey 3: Milenio, Agenda Deriva 2013

Lançamentos Editora Deriva

Leituras libertárias

Espaço Zine promovido pelo Espaço Libertário Moinho Negro, com máquina de xerox para você levar quantos zines quisesse, e bate-papo e oficina sobre zine

Espaço Zine Moinho Negro

Propagando o anarcopunk

Filme e bate-papo sobre o jornal O Inimigo do Rei

Recuperando a memória anarquista

Banquinhas com material da Federação Anarquista Gaúcha

Banquinhas com material da Federação Anarquista Gaúcha

Arriba los que luchan

Banquinha com zines do coletivo anarca-feminista Ação Antisexista, e bate papo sobre estratégias de mobilização e propagação anarcafeminista.

Coletiva Anarcafeminista Ação Antisexista

Banquinha com zines, tinturas, e material do Bosque

Banquinha com zines, tinturas, e material do Bosque

Autonomia e vivência

Lançamento do livro Ética Amatoria del Deseo Libertario y las Afectacione Libres y Alegres, de Ludditas Sexxxuales

Lançamento do livro Ética Amatoria del Deseo Libertario y las Afectacione Libres y Alegres, de Ludditas Sexxxuales

Questionando a heteronormatividade

Bate-papo sobre comunalismo libertário enquanto estratégia anarquista de transformação social, puxado, entre outrxs, por colaboradorxs do Protopia e inspiradx também na iniciativa do Open Source Ecology

Bate-papo sobre comunalismo libertário enquanto estratégia anarquista de transformação social, puxado, entre outrxs, por colaboradorxs do Protopia e inspiradx também na iniciativa do Open Source Ecology

Construindo autonomia

Bate papo sobre abolicionismo penal e luta anti-manicomial, puxado pelo Coletivo Desencadeia

Bate papo sobre abolicionismo penal e luta anti-manicomial, puxado pelo Coletivo Desencadeia

Libertar-se das prisões

Sorteio da anarcobici do Espaço Deriva

Sorteio da anarcobici do Espaço Deriva

Mobilidade, liberdade, autonomia

Crianças na FLAPOA

Novas gerações aprendendo anarquia

Bom humor com provocação

Bom humor com provocação

Confira mais fotos da 3ª Feira do Livro Anarquista: Continue Reading »

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Nov 15 2012

Matéria sobre a Feira no Sul 21

Published by admin under 3a Feira - 2012,Divulgação

O Jornal virtual Sul 21 publicou hoje uma matéria sobre a 3ª Feira do Livro Anarquista. Confere aí:

3ª Feira do Livro Anarquista promove atividades sobre sexismo e abolicionismo penal

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