Nov 14 2014

5ª FEIRA DO LIVRO ANARQUISTA DE PORTO ALEGRE “CIDADE: TERRITÓRIO EM DISPUTA!” 12, 13 e 14 de dezembro de 2014

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5ª FEIRA DO LIVRO ANARQUISTA DE PORTO ALEGRE
“CIDADE: TERRITÓRIO EM DISPUTA!”
12, 13 e 14 de dezembro de 2014
Os últimos anos foram marcados pela eclosão e intensificação de lutas que têm como cenário a cidade. Ruas, bairros, praças são o palco de lutas de transversais, muitas vezes de grande amplitude. Uma série de questionamentos sobre o modelo de cidade e as formas de mobilidade, ocupação e apropriação do espaço urbano, há muito tempo presentes nas lutas, passaram à ordem do dia.
Em 2013 e 2014, as grandes cidades do país foram cenário de revoltas, e foram sacudidas desde baixo pela ação popular. As ideias libertárias pulularam entre as múltiplas pautas sustentadas pelas multidões nas ruas, bem como nas formas de articulação e organização, nas quais a influência das ideias e experiências anarquistas se fez presente e ativa, na reestruturação de um campo combativo desde a esquerda e desde baixo nas cidades.
Por outro lado, as cidades foram território de  uma série de práticas repressivas e da violência do Estado. Algo daquilo que é o cotidiano das periferias e bairros pobres das cidades brasileiras, tornou-se também visível no centro das metrópoles, explicitando a lógica com a qual as cidades são geridas pelo Estado e o grande capital. Em nossas lutas de 2014, nos deparamos com cidades sitiadas e monitoradas, com a restrição do espaço público, expulsões e remoções forçadas, ação policial ostensiva e violenta, restrição do direto de ir e vir, do acesso ao espaço urbano,do direito de reunião e associação – com perseguição efetiva, política, ideológica a coletivos e organizações anarquistas. Vimos, mais uma vez, a intensificação de um “apartheid” social, no qual políticas de urbanismo segregatório e gentrificador, bem como a violência contra a população pobre, jovem, negra e periférica foram constantes.
Para xs anarquistas, a cidade é, também, lugar de afirmação positiva de resistências. E é nesse ponto que se situa a 5ªFeira do Livro Anarquista de Porto Alegre, resgatando uma história de apropriação do espaço urbano e de presença cultural e anárquica na cidade que remonta à 1ªFeira, de 2010. A 5ªFLA vem atualizar e desdobrar essa história, colocando a cidade como foco temático, ocupando ruas e praças na construção de um espaço autônomo, comum e comunitário, tomando lugar na cidade como território em disputa.
O tema da 5ªFLA é, exatamente, a cidade como lugar chave da afirmação das lutas contra forma toda forma de opressão.
O que une xs anarquistas nos territórios de luta e resistência das cidades? Como podemos apropriar, transformar e lutar num espaço urbano onde possamos criar nossos territórios, zonas livres e autônomas, integrar experiências libertárias e comunitárias?
A 5ªFLA traz o tema da construção da cidade como lugar de disputa e de luta: territorialidades alternativas e libertárias, redes de espaços ocupados, territórios dos de baixo, que afirmam uma outra forma de habitar e construir a cidade. A cidade do poder popular contra a do poder municipal burguês. A cidade da vida coletiva autônoma e livre. A cidade como palco da democracia direta e do apoio mútuo.
A 5ª Feira do Livro Anarquista de Porto Alegre lembra e homenageia o companheiro Robson Achiamé, incansável e generoso propagandista do anarquismo. Achiamé nos deixa aos 71 anos – dos quais, pelo menos 47 foram dedicados à propaganda libertária. As caixas de livros que enviava sem pedir o pagamento prévio (ou nem mesmo pagamento), aproximaram muitxs de nós das correntes libertárias e das ideias anarquistas. Sua memória se faz presente na 5ªFLA.
Proposição de atividades, oficinas, bate-papos, debates para somar à programação política, cultural e poética da 5ªFLA até dia 05/12, via e-mail 5flapoa@riseup.net.

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Aug 04 2014

Histórico de organização das FLAPOA

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Em 2010, aconteceu a 1ª Feira do Livro Anarquista de Porto Alegre (FLAPOA), e desde então, essa feira vem acontecendo todos os anos, em novembro, em diferentes espaços da cidade. Sem modéstia, podemos dizer que a realização desta feira foi um dos fatores que estimulou o surgimento de feiras anarquistas em diferentes lugares do brasil e da américa do sul nos últimos anos. A ideia é que esse seja um espaço para que diferentes coletivos, e também pessoas sem vínculos a coletivos, compartilhem suas ideias e práticas libertárias, além de divulgar todo tipo de material anarquista: livros, zines, cartazes, etc. Mas não é só uma feira de exposição de materiais, também tem uma ampla programação de oficinas, bato-papos, exibição de filmes, teatro… Até agora, temos conseguido fazer com que estejam presentes na feira praticamente todas as diferentes perspectivas existentes sobre o anarquismo na cidade, fazendo com que a feira seja diversa e inclusiva. Por isso, ela vem crescendo a cada edição, e tem sido importante para muitas pessoas se aproximarem às ideias e às iniciativas já existentes.

Mas nestes quatro anos, também muitas coisas mudaram. As pessoas que estiveram envolvidas na organização das feiras anteriores também estão envolvidas em outras iniciativas, e gostariam de passar adiante a tarefa de organizar este evento. Muitas pessoas nos perguntam se vai ter feira este ano, como se a feira acontecesse sozinha, ou se já fosse algo dado. Não é. Como aprendemos de maneira cada vez mais forte na medida em que vamos nos envolvendo no anarquismo, as coisas só acontecem se as fazemos acontecer, a autogestão só depende de nós. Então, a tarefa é aumentar esse nós. Que venham outrxs organizar este evento, e que ele se transforme junto com a transformação de iniciativas anarquistas na cidade.

Neste texto, a intenção compartilhar um pouco de como esta iniciativa vem se construindo e transformando nestes quatro anos, com a intenção de que novas pessoas possam ir se apropriando dela e continuem fazendo com que ela aconteça. Consideramos que é importante registrar as experiências que temos, compartilhar os aprendizados e assim, espero, transmitir ao maior número de pessoas possível alguma inspiração para seguir multiplicando as ideias e práticas anarquistas pelo mundo. Faz parte do princípio de descentralização que é uma das nossas bases. Mas percebemos que muitas vezes este processo é impedido por vários motivos, e algumas ideias acabam morrendo quando ficam atadas às pessoas que inicialmente as promoveram.

Um dos motivos para não escrever sobre nossos processos de organização é que temos medo, porque sabemos que vivemos numa sociedade do controle que usará toda a informação que compartilharmos sobre nós mesmxs para nos mapear e, provavelmente, nos atacar. Mas ao não escrever, também colaboramos com nosso próprio apagamento da história, e impedimos que novas gerações conheçam o que já foi feito e tenham que recomeçar muitas vezes. É uma faca de dois gumes, mas alguns de nós acreditam na importância de registrar nossas ações.

Outro motivo frequente para não escrever sobre estas coisas é a dificuldade de fazê-lo sem nos expor pessoalmente, vinculado ao fato anterior, fazer com que esse registro não nos exponha mais do que o necessário. Nem as nossas vidas pessoais, nem as das nossas organizações, nossas diferenças e desencontros. Nossas fraquezas e dificuldades devem ser debatidas internamente sempre, para crescermos e nos fortalecermos, mas não expostas para que sejam usadas contra nós.

Fazemos essas duas ressalvas porque é a partir delas que este relato está escrito, tentando levar isso em consideração o tempo todo. A ideia é simples: passar adiante informação básica do que é necessário para que a FLAPOA aconteça.

Então, coisas básicas:

Data

  • A FLAPOA é realizada no início do mês de novembro porque aproveita a data da feira do livro comercial de Porto Alegre, para chamar a atenção para a limitação dos conteúdos dos livros dessa feira comercial e de todo o negócio editorial por trás dela. Geralmente aproveitamos o fato de que haja feriados nos dias 2 e 15 de novembro e adequamos a data a um desses feriados, para facilitar a participação de pessoas de fora da cidade. Tomamos o cuidado de coordenar a data com o pessoal de São Paulo, que nos últimos três anos tem também organizado eventos nessas datas, especialmente a Biblioteca Terra Livre.

Comunicação

  • A FLAPOA tem um site: flapoa.deriva.com.br. Nele, você pode encontrar registros das quatro edições anteriores, fotos, programação, cartazes, textos de divulgação. Assim, você tem uma ideia dos conteúdos que já circularam até agora. Também tem uma lista de links dos coletivos que colaboraram e participaram ao longo deste tempo.
  • O We Riseup tem sido uma ferramenta importante de comunicação para organizar a feira. Mas devido a várias situações complicadas, percebemos cada vez mais que é importante entender o we apenas como uma ferramenta para criar registro dos acordos e construir os textos coletivos que são necessários, mas nunca para fazer debates e tomar decisões por esta via. Os debates e decisões devem acontecer em reuniões presenciais. Isso se deve a vários fatores: 1. não são todas as pessoas que participam da organização da feira que sabem (e se dispõem a) usar o we riseup; 2. o meio virtual tende a aumentar os desacordos, alimentando egos, ao invés de encontrar soluções práticas para resolver os impasses; 3. não é seguro deixar registrado por escrito as nossas desavenças, o que só nos fragiliza.
  • Apesar das limitações que o we possa ter, em todos estes anos concordamos em não organizar NADA através do facebook. Os motivos são muitos, e vários coletivos têm feito essa reflexão. Fazemos, sim, divulgação através do facebook, uma vez que temos os cartazes e os textos de divulgação. Mas nunca vinculando nossos nomes como organizadorxs, expondo nossos perfis ou, o que é pior, expondo nossas desavenças através desse meio.
  • Então, todas as decisões são tomadas em reuniões presenciais, que se organizam de acordo com a dinâmica de quem está participando… geralmente, são necessárias reuniões quinzenais, pelo menos nos três ou quatro meses prévios à feira.
  • Outra contribuição importante do we riseup tem sido facilitar a aproximação de pessoas e coletivos de fora de Porto Alegre, e inclusive sua colaboração na organização. Facilita que as pessoas autogestionem sua inscrição de atividades na programação montada em um texto em wiki, divulguem sua necessidade de alojamento, sua disponibilidade para participar em comissões e contribuam com ideias.
  • Costumamos criar um grupo de we riseup para a organização de cada feira, para que se somem apenas as pessoas que realmente se dispuserem a colaborar com essa edição da feira, e não misturar os debates com os dos anos anteriores.
  • Existe um e-mail da feira: flapoa@libertar.se, que pode ser usado para inscrições de atividades para aquelas pessoas que não queiram usar o we riseup. O uso desse e-mail pode ser passado adiante sem problemas, compartilhando a senha diretamente com as pessoas que se responsabilizarem por tocar o evento. O mesmo é válido para o site, que é um blog com plataforma wordpress. Apesar de o endereço do site conter .deriva.com.br, isso não significa que seja de posse desta editora, apenas que essa foi a via mais prática que tivemos para criá-lo naquele momento.
  • Nossa opção tem sido por não dar entrevista para a Zero Hora, mas outros meios de comunicação alternativos nos procuram às vezes através do e-mail para entrevistas.

Local

  • O lugar de realização da feira sempre é um assunto importante a ser decidido no início da organização. Sempre temos o impasse lugar público x lugar fechado, o que geralmente também implica lugar aberto x lugar fechado. Os argumentos a favor do primeiro são a visibilidade e a ocupação do espaço público, mas suas desvantagens são a dificuldade de sustentar um espaço público por dois ou três dias (que é a duração que a feira costuma ter), em relação à repressão, assim como o fato de, ao ser um lugar aberto, estarmos expostos ao sol e à chuva, sendo que esta é incompatível com a venda de livros. Também levamos em conta questões de infraestrutura, como acesso a banheiros e a possibilidade de cozinhar e/ou lavar louça, caso decidamos fazer comida. Temos tentado realizar as feiras nos espaços de coletivos anarquistas também para ajudar a divulgá-los e mostrar que já existimos na cidade, mas sempre temos que tomar em conta as condições que cada espaço presta. Também levamos em conta a necessidade de segurança em relação a ataques de grupos skins e neonazi.
  • A terceira FLAPOA aconteceu na usina do gasômetro, e isso teve algumas vantagens e várias desvantagens. Foi a feira que teve mais alcance na sua divulgação, mas muitas pessoas nos criticaram por fazer um evento desses num espaço do governo municipal. E efetivamente, tivemos que lidar com a guarda municipal e com a presença de câmeras de vídeo por todos lados. Além do mais, o fato de que mais pessoas circulassem pela feira não necessariamente levou a que se detivessem a prestar atenção nas nossas propostas, e nos expôs a mais preocupações com nossa própria segurança. Ficou o aprendizado.

Logística e recursos

  • Em cada feira, dependendo da disponibilidade das pessoas envolvidas na organização, e do lugar onde acontece, decidimos se fazemos comida e se vendemos bebida. Na primeira FLAPOA, em 2010, um empréstimo pessoal permitiu a venda de cerveja, que por sua vez gerou um caixa que foi guardado de um ano para outro e permitiu que houvesse bar também no segundo ano; que por sua vez de novo gerou recursos que ficaram para o terceiro ano. Em 2012 não houve bar, e o dinheiro dos anos anteriores foi usado para gastos de materiais e infraestrutura que foram necessários. Em 2013, o dinheiro que tinha permanecido dos anos anteriores terminou de ser usado em infraestrutura, e atualmente a FLAPOA não conta com nenhum recurso. A opção, nas últimas duas edições, é fomentar a venda de comida e bebida por parte de vários coletivos autogestionários de alimentação que existem na cidade. Mas sempre é necessário algum recurso para questões logísticas, então a organização deste ano teria que ver como levantar essa parte.
  • Como você pode ver no site, e nos grupos de we das feiras anteriores, geralmente fazemos um texto chamando pessoas a proporem atividades para a programação. A partir das propostas recebidas, colocamos horários encaixando tudo, confirmando com as pessoas que propuseram a atividade. O contato com editoras costuma acontecer a partir das redes de contatos das pessoas envolvidas na organização, e eventualmente através de e-mail se não conhecemos as pessoas de alguma editora.
  • Também nos colocamos um prazo interno para a proposta de cartazes, de preferência com pelo menos um mês de antecedência. Valorizamos bastante que os cartazes circulem fora da internet, impressos e distribuídos em diversos lugares da cidade. Isto também gera um custo que tem que ser levado em conta na questão dos recursos.
  • Até agora, o que fizemos foi criar comissões de comunicação, logística, segurança e alimentação, distribuindo as tarefas combinadas nas reuniões.

Bom, é isso. Tudo isso será, provavelmente, transformado pelas novas pessoas que se envolverem na organização da feira. A informação que está aqui é bastante básica e pode ser considerada como subestimando as pessoas que querem se envolver na organização da feira, mas a intenção é que qualquer pessoa se sinta capaz de fazê-lo, e esperamos que seja útil. Qualquer dúvida, a via mais fácil de estabelecer contato com quem já organizou a feira é pelo we riseup, onde podemos dar algum apoio para passar adiante qualquer informação necessária.

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Nov 08 2013

Programação 4ª FLAPOA

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Está no ar a programação completa da  4ª Feira do Livro Anarquista de Porto Alegre! Estamos disponibilizando-a aqui no site em dois formatos, uma em pdf com as descrições completas de cada atividade aqui e outra em formato de imagem que você baixa aqui.

• Sexta-feira, 15 de novembro

Onde: Espaço Deriva/Clube de Cultura – Ramiro Barcelos 1853

17h. Abertura.

18h. “Seguirei lutando enquanto você não acorda: Homenagem a Samuel Eggers”. Resumo: Leitura aberta de trechos escolhidos dos escritos do companheiro Samuel Eggers, seu entendimento político e de sua história. Samuel foi assassinado em 13 de setembro deste ano, na cidade de Caxias, depois de participar de um congresso científico apresentando pesquisas na área de psicologia e sua filiação a filosofia anarquista. As principais hipóteses sobre sua morte é que ele foi assassinado por grupos fascistas ou pela polícia militar por se declarar abertamente crítico do atual estado de violência policial, se autodeclarando anarquista.

19h. Debate de abertura da feira: “Práticas e perspectivas anarquistas na atualidade”.

• Sábado, 16 de novembro

Onde: Ateneu a Batalha da Várzea – Travessa dos Venezianos

10h. “Pequenos Passos em Direção à Utopia por um Ciberativismo de Quintais,Cafés e Noites Estreladas. Sobre práticas libertárias em Araranguá (SC)”. Resumo: A ideia é revisitar um pouco sobre o que tem sido feito de prático em Araranguá e região em relação a experiências autogestionárias, desafios libertários e propostas de relações horizontais entre coletivos e movimentos. Apresentar a metodologia da Colmeia, Ideias em Cooperação como catalisadora de projetos libertários e ouvir outras experiências vivas de quem participar da roda de conversa. Falaremos das experiências locais como as oficinas libertárias, a horta coletiva, o provedor comunitário livre, a rádio sofia livre, a antieditora, a escola democrática rio dos anjos, a formação da cooperativa de compras coletivas e a formação da rede de produtores e consumidores locais e outras experiências incipientes em nossa comunidade. Exemplos práticos nos quais o apoio mútuo e autogestão estão no centro de todas as atividades.

“Anarquismo e Libertação Animal”, com Ação Antisexista e outrxs. Resumo: Proposta de aprofundamento sobre a Libertação Animal: A comunidade anarquista muitas vezes faz objeções a Libertação Animal, ou prefere ignorá-la. Trazemos ao debate uma análise do contexto atual e conexões com as ideias anarquistas, pois acreditamos na libertação total. Criticamos as organizações veganas mainstream que não nos representam, tendo abordagens sexistas, reformistas e consumistas, e defendemos que a Libertação Animal não se resume a uma dieta.

14h. Oficinas:

“Confecção de abiosorventes”, com Mel. Resumo: Absorventes de pano, ecológicos e não tóxicos.

“Jardinagem de guerrilha”, com a Comuna do Arvoredo. Resumo: cultivar em espaços urbanos, públicos ou privados, com as ferramentas e materiais disponíveis na cidade/bairro. Podemos fazer desde bombas de sementes, para serem espalhadas pela cidade, ou em okupações verdes em terrenos baldios e praças.

“Serigrafia instantânea”, com Tharcus Aguilar.

“Oficina de Stencil e colagem para jovens e crianças”, com Trampo.

16h. Lançamentos de livros:

“Autobiografia de um Irredutível”, de Cláudio Lavazza. Resumo: O livro é a autobiografia de Claudio Lavazza, anarquista italiano atualmente sequestrado pelo Estado Espanhol quando detido na fuga de uma expropriação a um banco, onde mata duas policiais em defesa de sua vida e de seus companheiros. Nessa Apresentação se pretende fazer um paralelo com o momento que vivemos hoje em nossa realidade.

“Tesouras Para Todas”, Ed. Subta e Ed. Deriva. Resumo: Compilação de textos sobre a violência machista nos movimentos sociais, publicado originalmente na Espanha, sob o título ‘Tijeras para Todas’.

“Teoria Política da Organização Anarquista”, FAG (Federação Anarquista Gaúcha).

“O que devemos fazer”, de Liev Tolstoi, Ed. Deriva. Resumos: Atividade de lançamento da versão em português do livro pela Editora Deriva.

18h. “Oficina de RAP móvel”, com Parrhesia Radio Web. Resumo: Oficina de uma a duas horas de RAP e notícias com parrhesia radio web, transmitida via internet.

“Roda de Capoeira Angola e troca de ideia”, com Africanamente. Resumo: Roda na Travessa, com um momento para troca de ideia sobre capoeira e liberdade.

Ao longo do dia: Espaço de troca e distribuição de sementes.

• Domingo, 17 de novembro

Onde: Espaço Deriva/Clube de Cultura – Ramiro Barcelos 1853

10h. “A solidariedade como arma – respondendo à repressão”. Resumo: Como responder a repressão a partir da solidariedade ácrata, por que não cair no imobilismo nem na inocente confiança dos mecanismos do estado.

“Autodefesa feminista”: Oficina com Coletivo de Autodefesa Feminista – Cadfem (espaço exclusivo p/ mulheres e lésbicas). Resumo: Autodefesa feminista para mulheres, lésbicas e pessoas trans. Exclui a participação de homens cis.Breve relato do surgimento do grupo de auto defesa feminista de Porto Alegre, dicas para criação de outros grupos e oficina.

14h. “Autonomia e Movimentos Sociais”, com Frente Autônoma. Resumo: Autonomia é um conceito sobre o qual muito se tem falado e pouco se tem debatido. Em meio a um momento de crise organizacional, nos propomos realizar um bate-papo para reconstruirmos, juntxs, os diversos atravessamentos da prática autônoma e para discutirmos o papel de uma Frente Autônoma nos movimentos sociais. A ideia é trocar conhecimentos, saberes, experiências, estratégias, táticas, anseios, afetos, preocupações, vontades e propostas em torno dos lugares ocupados pelos coletivos autônomos que atuam na luta das ruas. Assim, problematizaremos questões como a autodefesa, a horizontalidade, a pluralidade e a hegemonia, a fim de potencializarmos nossas formas de organização e afinarmos o que acreditamos serem nossas práticas libertárias nesse meio.

“Autoria x Autoridade”, por uma epistemologia anarquista, com chuy.

“Confecção de jardins comestíveis suspensos”, com Comuna do Arvoredo.

16h. “Justiça e anarquia”. Resumo: A vontade dessa troca de ideias é discutir e debater sobre os sentidos que, como anarquistas, damos a uma palavra/conceito como “justiça”. O “justo” hoje é definido pelo sistema judicial através das leis feitas pelxs mesmxs que quotidianamente tentam nos oprimir e dominar; a prisão serve de castigo para quem não as respeita. Questionar a prisão como instituição é ao mesmo tempo questionar todo um sistema, os seus mecanismos de controle e uma sociedade que nos ensina desde crianças o que é “justo” e como devem de ser resolvidos os “problemas”. A proposta desse bate papo é então questionar e desconstruir esse conceito para logo nos propor debater sobre “outras formas” além da “justiça institucionalizada” de “resolver” os “problemas”, tomando vários exemplos históricos e atuais, tanto de comunidades como experiências de lutas.

“Cypherpunk e criptografia básica”, Oficina. Resumo: À medida que nossas vidas migram para os computadores e para a rede, os estados se mostram cada vez mais totalitários com suas possibilidades de vigiar todos os nossos passos. Com isso, a proteção de nossas informações digitais se torna cada vez mais importante na preservação de nossa privacidade e de nossa liberdade política. Essa oficina pretende explicar algumas noções básicas sobre criptografia, estabelecer sua importância, e fornecer alguns exemplos de medidas simples, mas de grande impacto, que podem ser adotadas por qualquer pessoa para proteger seus dados e suas comunicações.

“Oficina de teatro para crianças”. Responsável: Marcelo e amigx. Resumo: Ação física a partir do teatro para crianças. Sobre esta oficina se pode dizer que está enfocado a dinâmicas corporais, entendendo estas dinâmicas a partir de um trabalho de respiração-movimento, a dissociação e exercícios de improvisação…

18h. “Sarau musical – traga sua arte”. Convidadxs: Performance Me amo Você (com Patrícia Maya e Diego Vieira) Eduardo Solaris. Resumo: A ideia é realizar um sarau musical aberto à participação das pessoas presentes. Algunxs convidadxs confirmadxs trarão poesia e músicas de resistência e protesto da época da ditadura, além de performances como Me amo você, uma reflexão sobre o amor contemporâneo, o machismo e o narcisismo de nossa sociedade.

“Gênero, Poder e Violência nos mitos gregos”, com Paulina Terra Nólibos. Resumo: Mitologia grega é um tema fascinante, de grande impacto no imaginário ocidental, que, infelizmente, tende a ser abordado como uma sequência de narrativas sem valor político ou social, vistas meramente como histórias de entretenimento. Contrariamente a isso, autores das áreas de História, Filosofia e Psicologia tem apontado a gravidade das questões que a mitologia grega aborda, como a violência contra a mulher numa sociedade patriarcal (nossa principal referência no Ocidente), a guerra e os discursos pacifistas que surgem contra a cultura hegemônica, o papel da homossexualidade, o exercício do poder, a escravidão, a submissão e a revolta. Como historiadora, filósofa e arteterapeuta, gostaria de discutir autores e livros que, nas últimas décadas, estabeleceram novos olhares e leituras consistentes sobre o tema, apresentando diferentes interpretações e articulando mitologia à crítica social e proposições alternativas sobre a sociedade civil, seus direitos e sua representação no imaginário antigo.

Ao longo do dia: “1ª Mostra do Vídeo Anarquista de Porto Alegre”. Resumo: Exibição contínua de audiovisuais nacionais e internacionais, lançados nos anos de 2012 e 2013, documentários, curtas e longa-metragens, relacionados ao anarquismo em suas diversas formas e manifestações. Traga sugestões de vídeos para construir este espaço!.

“Hackerspaço”. Resumo: Ponto de encontro para troca de informações, instalação de software, tentativa de resolução de problemas relacionados a tecnologia em geral, e o que aparecer.

Todos os dias: Bancas de livros e materiais anarquistas de diversas editoras e coletivos! Haverá também espaços com alimentos e bebidas, traga sua caneca!

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Nov 08 2013

Galeria de cartazes para divulgação

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Escolha o cartaz que você mais gosta e ajude a divulgar a 4ª FLAPOA!

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Oct 13 2013

Última semana para propor Oficinas e Debates

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Chamada para propostas de oficinas e debates.

É com a necessidade de combater qualquer forma de poder e relação hierárquica, e com vontade e ânsias por compartilhar diversas experiências de luta, que convidamos aos diversos grupos e individualidades que gostariam de propor alguma atividade, oficina ou debate que impulsionam e intensificam a criatividade e procuram constantemente uma vida liberada, para que a teoria desborde na pratica das nossas vidas cotidianas.

Envie para nós as suas propostas para a participação na feira do livro anarquista de Porto Alegre, nos dias 15,16 e 17 de novembro!

Por uma questão prática de organização, pedimos axs interessadxs para que mandem suas propostas até o dia 20 de outubro para o email: flapoa [em] libertar . se

Por nossas vidas!
Saúde e Anarkia!

https://we.riseup.net/assets/157345/AfiPorto-01.png

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Sep 24 2013

Llamada para la 4ª Feria del Libro Anarquista de Porto Alegre

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En los días 15, 16 y 17 de noviembre se llevara a cabo la cuarta Feria del Libro Anarquista de Porto Alegre donde se realizara la 1º muestra de videos anarquistas de la ciudad. En esta cuarta edición de la feria, una vez más convidamos e invitar a las personas interesadas y colectivos comprometidos a traer sus materiales y participar en la organización, con el objetivo de fortalecer, propagar los ideales y las prácticas anarquistas.

En tiempos de tormenta, en donde la revuelta se toma las calles, y las ráfagas de acciones e ideas rompieron con la normalidad, estos espacios son cada vez más importantes para el intercambio de materiales, tales como libros, películas y revistas, tambien para llevar a cabo intervenciones, talleres y diálogos. Es hora de seguir alimentando los ideales libertarios, marcados por los valores de la libertad, la solidaridad, la autogestión, la autonomía y el apoyo mutuo.

Invitamos a todxs a conocer los ideales anarquistasasí como tambien sus diversos frentes ocupados, en una lucha para superar los prejuicios y las formas de alienación diseñadas por los medios de distracción masiva.

Para proponer actividades para la feria y presentar sus películas, por favor, póngase en contacto con nosotros vía e-mail flapoa@libertar.se, o a través de la red we.riseup (grupo 4flapoa). Comprobar actualizaciones del sitio flapoa.deriva.com.br

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Sep 24 2013

Chamada para a 4ª Feira do Livro Anarquista de Porto Alegre

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Nos dias 15, 16 e 17 de novembro acontece a 4ª Feira do Livro Anarquista de Porto Alegre e a 1ª Mostra de Vídeos Anarquistas da cidade. Nesta quarta edição da feira, uma vez mais convidamos pessoas interessadas e coletivos engajados para trazerem seus materiais e participarem da organização, com o objetivo de fortalecer e propagar práticas e ideais anarquistas.

Em tempos de tormenta, em que a revolta tomou conta das ruas, rajadas de ações e ideias rompem a normalidade. Estes espaços são cada vez mais importantes para a partilha de materiais como livros, filmes e zines; e para a realização de intervenções, oficinas e diálogos. É momento para continuar alimentando os ideais libertários, marcados por valores de liberdade, solidariedade, autogestão, mutualidade e autonomia.

Convidamos a todxs a conhecer os ideais anarquistas e os diversos frontes ocupados pelxs anarquistas, em uma luta pela superação dos preconceitos e das formas de alienação disseminadxs pelos meios de distração em massa.

Para propor atividades para a feira e enviar seus filmes para a mostra, entre em contato através do e-mail flapoa@libertar.se, ou através da rede we.riseup (grupo 4flapoa). Confira atualizações no site flapoa.deriva.com.br

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Dec 27 2012

Reflexões sobre anarquismo, a partir da 3ª FLAPOA – Rodrigo Gagliano

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OS ANARQUISMOS NO BRASIL HOJE1

Os anarquismos contemporâneos no Brasil são, sobretudo, frutos de uma cultura livresca, apesar de todas as dificuldades para isso. Ainda falta volume editorial. Ainda não criamos volume social em nossas ações e formas de existência.

Por conta duas ditaduras, a de Getúlio Vargas e a dos milicos de 1964, houve um cisma entre as gerações de anarquistas, os de hoje e os de ontem. Tentamos recuperar os nossos rastros históricos – em muito apagados por nossos inimigos estatistas de todas as denominações – das gerações do fim do século 19 e início do 20 e do movimento renascente a partir da década de 1970. Essa geração do renascimento tem muita coisa arquivada e, por motivos que somente ela pode esclarecer, ainda não divulgada massivamente. Ouvi a fala de um compa dos anos 1970, de O Inimigo do Rei, e outro, dos 1980, punk das antigas, e ambos dizem dessa falta com o movimento…

Os anarcopunks, híbridos autocriados a partir do encontro de duas espécies diferentes, os punks e os velhos anarcossindicalistas sobreviventes, pela década de 1980 e começo da seguinte, foram capazes de criar barulho, nos principais centros urbanos do país. Já hoje, o movimento anarcopunk persiste, porém, deu uma arrefecida em seus ímpetos… As suas guitarras tem feito muito mais que os coquetéis molotov.

De meados da década de 1990 adiante, o movimento anarquista, com seus múltiplos prefixos ou adjetivos, se transformou em QUASE tão somente um movimento culturalista em que ações são particularmente formulações de festas e outros eventos, como debates, encontros e congressos, PRATICAMENTE, restritos aos guetos e às universidades, de alguma forma, nessas ocasiões, também transformadas em guetos temporários. Nesses anos, em um ou outro evento que estive para além do gueto, como foi, dessa vez, a 3ª Feira do Livro Anarquista de Porto Alegre, acontecida entre os dias 16 e 18 de novembro agora, 2012.

A feira, com consentimento do estado, em sua esfera municipal, aconteceu num espaço de cultura daquela cidade chamado Gasômetro. Digo isso apenas como provocação e um dos indícios de que os anarquismos aqui no país sequer causam algum receio ao estado e outros poderes… Somos bichos domados e domesticados? Parece que sim…

Da feira participaram quase somente adultxs, a maioria era da própria cidade, mas contávamos com pessoas de outras províncias brasileiras, principalmente, da região sul deste país, como eu mesmo, algumas pessoas oriundas de outros lugares como Argentina, Uruguai e Espanha. E, para variar, no evento, como é comum no Brasil, mais uma vez, esquecemos as crianças, sua presença, sua curiosidade e seus interesses… Continuamos esquecendo as futuras gerações como se elas não fossem também protagonistas de mudanças nesse país. Por que não deixamos as crianças e mais jovens participarem da anarquia? Poderíamos pensar ainda nos mais velhos, onde estão os mais velhos? Não morreram…

Além de participar da montagem do espaço com as generosas pessoas que organizaram e tornaram possível o evento, de comprar livros que atiçaram minha curiosidade, participei de alguns bate-papos programados e ocorridos na feira.

Participei de conversas sobre gêneros, ou sobre a inexistência desejável deles, numa discussão anarcoqueer. E ficou a impressão que, apesar das críticas à sociedade capitalista e à heteronormatividade, com as quais concordo, estava surgindo uma outra forma de normatividade que conjuga amor livre e o queer, apontando como suspeitos e indesejáveis e autoritárias quaisquer expressões de performance sexual-amorosa hetero e monogâmica. Vi posturas intolerantes e autoritárias, deixando de lado afetividades e o fato de que xs amantes devem ser livres e não os modelos de relacionamento… Vi, o que me deixou perplexo, anarquistas utilizando, sob a sombra de autores pós-modernistas, como Foucault e Deleuze – os quais não consigo sequer qualificá-los de libertários, com suas filosofias conformistas – metáforas(?) com a temática das máquinas para seres humanos. O luddismo sexual que pregavam não quebrava as formas sociais que fazem xs humanxs serem tratadxs como máquinas, serem máquinas, queriam apenas trocar os programas. Programas? Era uma redução do humano em nós à mera performancidade sexual. Falavam abertamente em (re)programação, numa filosofia político-sexual para lá ruim… E quando questionadxs sobre as contradições sobre as quais se inclinavam tão respeitosamente achavam suficiente e aclarador dizer que a negativa à contradição era uma coisa nascida a partir do século 18… Como se coerência entre ideias, de discurso, entre vida e teoria, fosse uma exigência apenas do século 18 e, além do mais, necessariamente autoritária. Essa sexualidade des-afetiva se tornou um tema centralizador e aprisionante para aquelas pessoas… A sexualidade e seus desdobramentos existenciais e sociais não eram mais apenas uma de tantas questões que nós anarquistas nos propusemos a pensar e viver. Uma armadilha…

Também estive em outros dois bate-papos, com três temas históricos para o movimento anarquista: luta antimanicomial, luta antiprisional e educação libertária. Os três temas tinham algo em comum: ficou claro a impotência e falta de propostas de ação de nossa parte, anarquistas. Nossa criatividade social é escassa e tem insistindo em velhos caminhos… Há também um recuo histórico, assim como não dizemos mais, por esse país, “não vote” e dizemos “vote nulo”2, não dizemos mais “pelo fim das prisões”, mas pelo “abolicionismo penal”. Ambas as fórmulas dizem o mesmo? Creio que não… Para muitos, não se fala mais em abolir prisões, manicômios, quase se fala em melhorias, ou se fica nas nuvens das abstrações ancoradas APENAS em imaginárias microrrelações expostas em frases como essa “nós, anarquistas, deveríamos pensar como tratamos os loucos”. Vc conhece algum/a louca? Nem eu. Esses rótulos ainda têm pertinência para nós?

Nesse miolo todo, tratou-se da violência presente entre nós anarquistas, violência de gênero – homens batendo em mulheres – e violência sexual. Contou-se um caso ocorrido, recentemente, na cidade de Curitiba de um anarquista(?) ter batido em sua companheira. “Que fazer?” era a pergunta. E mais uma vez a impotência das respostas esteve presente. Não sabemos autogestionar nossa própria violência e caímos em fórmulas vagas de não-violência. Ou será que xs anarquistas acham que, se um dia, conseguirmos criar amplamente anarquias, isto é, sociedades anarquistas, isso por si só, como um sopro, espantará nossa violência? Não conseguimos dar conta dela nem no nosso gueto!!!

Anarquistas deste país, no ano que vem, entra em vigor a lei antiterrorismo, estamos preparados? E, nesta famigerada lei, se será enquadrado por muito pouco como terrorista… Como faremos se formos para as prisões? Os presos têm dado demonstração efetiva de estarem se organizando politicamente, o que é bom, mas já perceberam que tipo de política? Tão opressora e hierárquica quanto a política do estado… Como lidaremos com isso lá dentro? Se, obviamente, sairmos de nossa cordeirice… E aqui fora, como formularemos nossa solidariedade com os de dentro?

Não tenho respostas para muitas dessas questões e sim a disponibilidade de diálogos, saindo das nuvens, e, penso yo, que apenas assim poderemos reativar nossa criatividade existencial e social e criarmos volume libertário nessa sociedade brutal, prisional e desigual.

São tantas perguntas que o meio anarquista brasileiro não tem sequer pensado ou tentado respondê-las… Sinto por nossa impotência!

Rodrigo C. Gagliano

1 Esse texto é inspirado pelo sentimento (re)vivido pela minha participação na 3ª Feira do Livro Anarquista de Porto Alegre e pela minha experiência como anarquista. É um texto impressionista, porém, talvez, toque em coisas importantes. Se aponto o dedo para xs anarquistas neste país, aponto também para mim mesmo…

2 Tem se argumentado que não votar trás problemas burocráticos no trabalho, para viajar, etc. Se não somos capazes de enfrentar isso, seremos capazes de quê? Isso pode pedir falsificações de documentos ou, quando muito, quando é mesmo muito necessário, pagar uma irrisória multa ao estado por nossa desobediência, porém, teremos marcado a mesma nas eleições…

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Dec 27 2012

Relato 3ª FLAPOA – Ação Antissexista

Published by admin under 3a Feira - 2012,Relatos

A Feira do Livro Anarquista de Porto Alegre vem acontecendo anualmente desde 2010,  neste ano chegou à sua terceira edição.

A Feira foi bastante interessante, e bem diferente por ter acontecido num espaço público. Nas nossas reuniões até decidirmos pelo Gasômetro, a opinião geral de todos os coletivos envolvidos, era de fortalecer os espaços anarquistas da cidade, por isso a dúvida entre estes espaços e um espaço público gestionado pela prefeitura. O limite de espaço físico e outras questões nos fizeram optar pelo Gasômetro, um centro cultural. Tirado isso, com questionamentos e crítica, passamos a ver as vantagens, uma delas a do acesso ao anarquismo para todxs. Muito além de uma palavra ou teoria, este acesso se mostrou verdadeiro na prática, muitas pessoas que por ali circularam, e embora muitas sem intenção de irem à feira, acabaram entrando em contato com o anarquismo, participando de alguma forma, simpatizando ou mesmo não concordando.

As bancas com livros, zines, revistas e materiais diversos se propuseram mais do que à exposição, mas à interação e muito debate, ao fluxo de pessoas e idéias, e às impressões com tudo isso, como espaços assim costumam ser. As oficinas rolavam nos arcos, uma extensão do espaço das bancas, e no píer, com muito calor e vento.  Foi bonito de ver e participar deste ambiente, meio caótico, intenso, barulhento e por isso mesmo necessário, pra mexer com o conforto e o previsível.

Houveram duas oficinas fechadas para mulheres e uma para homens. E isso novamente mexeu com as pessoas, gerou discussão e desconforto. Bem, oficina para mulheres sempre é questionada, tratada como algo sectário. A sociedade é sectária, nos divide em seres binários, bipolariza nossas ações, sentidos e emoções em função de gênero, e é por isso que precisamos nos organizar muitas vezes entre nós mesmas para decidirmos pelos problemas das quais apenas nós passamos, para não dizer sofremos. Desta forma, proporcionamos e incentivamos que sejamos as agentes das decisões que dizem respeito a nós somente, coisa que a sociedade não nos incentiva a fazer, pelo contrário, padroniza que nossas vidas estejam nas mãos de nossos pais, irmãos, maridos e também filhos (mostrando quanto o sistema de hierarquias é “flexível”), sendo eles os que “sabem o que é melhor para nós”, tomando decisões que nos dizem respeito.

A oficina para homens foi menos questionada, mas ainda assim com alguns olhares tortos. Algumas oficinas somente para homens têm intenção de vitimizar os homens e ofuscar os problemas das mulheres, ou mesmo ser uma “resposta” ao feminismo – como se o feminismo fosse um assunto isolado, ou que defendesse a superioridade das mulheres – designando que os homens passam por problemas opostos proporcionalmente iguais, ignorando os privilégios dos quais os homens detêm, mesmo quando a seu contragosto.  Que os homens passam por problemas de gênero, isto é inegável, mas de um ponto de vista privilegiado, o que difere bastante as experiências que vivem, mesmo que nem sempre positivas. Não foi o caso desta oficina, que pelo contrário, propôs a desconstrução da masculinidade e reflexão dos privilégios masculinos.

Ainda sobre as questões de gênero, das quais nosso coletivo propõe trazer para o debate como parte da luta anarquista, nossa banca foi bastante freqüentada por aquelxs que se afinizam e se interessam pelo anarcofeminismo, e tivemos a oportunidade de conversar bastante e conhecer pessoas e coletivos, o que sempre nos deixa muito motivadxs. Alguns homens porém  a repudiaram. Não digo pessoas porque foram alguns homens apenas que na feira criticaram o conteúdo anarcofeminista da nossa banca, ou que expuseram isso, talvez porque os homens se sintam mais à vontade de fazerem críticas, ou porque de alguma forma sentiram ameaçadas suas crenças. Muitas das interações foram no sentido de explicarmos o porquê das nossas reivindicações e fomos acusadxs de nos focarmos numa coisa só. Pra começar nós não estamos focadxs numa coisa só, pelo contrário, a intenção é incluir o feminismo como questão fundamental na luta por igualdades, nós realmente não acreditamos em anarquismo sem feminismo. É muito cansativo ver que ainda existe a idéia que temos que esquecer as diferenças e nos unirmos por uma causa “mais importante”- neste caso a anti-civilização. Por que haveríamos nós de deixarmos de lado os males que nos afligem?  Quem decide qual causa é mais importante para quem, x oprimidx ou quem tem o poder em suas mãos para oprimir? As distintas lutas ao contrário de se divergirem se conectam. Não pode ser mais incoerente reivindicar “união” por uma causa – que alguém julga mais importante – porque ela afasta, ela não mostra compaixão ou companheirismo, ela se disfarça em união com o único propósito de que esqueçamos das nossas lutas específicas, do tratamento e oportunidades diferenciados que temos, para nos transformarmos em massa de manobra. A solidariedade é uma das questões mais importantes do anarquismo, se não sabemos nos solidarizar, se não podemos compreender as dificuldades pelas quais não passamos e as reivindicações que surgem dessas dificuldades, estaremos sendo insensíveis e incoerentes enquanto anarquistas. A solidariedade derruba dogmas e instituições, as ameaça e enfraquece, por isso se diz que a solidariedade é uma arma.

Mas podemos dizer que muito mais foram as pessoas que se interessaram positivamente, muitxs foram xs que gostaram das bancas, materiais e das oficinas sobre gênero e que comentaram que estavam entusiasmadxs por verem na feira o feminismo tão presente.

A Feira rolou intensa. Importante dizer que mais uma vez foi fundamental a colaboração das pessoas que vieram de outras localidades, diversificando o espaço e tornando-o mais atrativo, além de propiciar os intercâmbios diversos. A feira aconteceu, e nos faz refletir de sua importância quanto a um espaço para encontro, troca e difusão das idéias libertárias. Que as feiras anarquistas continuem se espalhando pelo mundo.

Enila Dor.
ação anti sexista
26.12.2012

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Dec 27 2012

Compartilhando impressões da 3ª FLAPOA

Seja bem vindx à 3ª Feira do Livro Anarquista

A 3ª Feira do Livro Anarquista de Porto Alegre aconteceu nos dias 16, 17 e 18 de novembro, na Usina do Gasômetro, com a realização de várias atividades, oficinas, bate-papos, filmes, festa e conversas. Mais uma vez, foi um espaço super importante para propagar as ideias e as práticas anarquistas, permitindo o encontro de pessoas vindas de diferentes lugares – São Paulo, Florianópolis, Curitiba, Brasília, Buenos Aires, Uruguai, Espanha, França e provavelmenta mais alguns que não ficamos sabendo – estabelecendo contatos, redes e ideias para continuar nossas atividades libertárias.

Algumas das pessoas que vieram prestigiar e contribuir com a FLAPOA deste ano, são pessoas envolvidas com o anarquismo há muitos anos, e que participaram de ações há algumas décadas atrás. Elxs nos ensinaram sobre a importância de ter registro das atividades que fazemos, e guardar isto para passar para as próximas gerações. Então convidamos todxs aquelxs que participaram da 3ª FLAPOA a compartilhar conosco suas impressões, seus comentários, suas fotos, suas críticas.

Mande seu texto/foto/desenho/ideia  sorbe a FLAPOA para o email flapoa[a]libertar.se para compartilharmos aqui e continuarmos trocando, aprendendo e nos conectando mesmo depois da feira. Àquelxs que propuseram oficinas e bate-papos, pedimos que compartilhem materiais sobre o tema que propuseram, para que as pessoas que não puderam participar, possam acessar essa infromação por aqui.

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