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Dec 27 2012

Reflexões sobre anarquismo, a partir da 3ª FLAPOA – Rodrigo Gagliano

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OS ANARQUISMOS NO BRASIL HOJE1

Os anarquismos contemporâneos no Brasil são, sobretudo, frutos de uma cultura livresca, apesar de todas as dificuldades para isso. Ainda falta volume editorial. Ainda não criamos volume social em nossas ações e formas de existência.

Por conta duas ditaduras, a de Getúlio Vargas e a dos milicos de 1964, houve um cisma entre as gerações de anarquistas, os de hoje e os de ontem. Tentamos recuperar os nossos rastros históricos – em muito apagados por nossos inimigos estatistas de todas as denominações – das gerações do fim do século 19 e início do 20 e do movimento renascente a partir da década de 1970. Essa geração do renascimento tem muita coisa arquivada e, por motivos que somente ela pode esclarecer, ainda não divulgada massivamente. Ouvi a fala de um compa dos anos 1970, de O Inimigo do Rei, e outro, dos 1980, punk das antigas, e ambos dizem dessa falta com o movimento…

Os anarcopunks, híbridos autocriados a partir do encontro de duas espécies diferentes, os punks e os velhos anarcossindicalistas sobreviventes, pela década de 1980 e começo da seguinte, foram capazes de criar barulho, nos principais centros urbanos do país. Já hoje, o movimento anarcopunk persiste, porém, deu uma arrefecida em seus ímpetos… As suas guitarras tem feito muito mais que os coquetéis molotov.

De meados da década de 1990 adiante, o movimento anarquista, com seus múltiplos prefixos ou adjetivos, se transformou em QUASE tão somente um movimento culturalista em que ações são particularmente formulações de festas e outros eventos, como debates, encontros e congressos, PRATICAMENTE, restritos aos guetos e às universidades, de alguma forma, nessas ocasiões, também transformadas em guetos temporários. Nesses anos, em um ou outro evento que estive para além do gueto, como foi, dessa vez, a 3ª Feira do Livro Anarquista de Porto Alegre, acontecida entre os dias 16 e 18 de novembro agora, 2012.

A feira, com consentimento do estado, em sua esfera municipal, aconteceu num espaço de cultura daquela cidade chamado Gasômetro. Digo isso apenas como provocação e um dos indícios de que os anarquismos aqui no país sequer causam algum receio ao estado e outros poderes… Somos bichos domados e domesticados? Parece que sim…

Da feira participaram quase somente adultxs, a maioria era da própria cidade, mas contávamos com pessoas de outras províncias brasileiras, principalmente, da região sul deste país, como eu mesmo, algumas pessoas oriundas de outros lugares como Argentina, Uruguai e Espanha. E, para variar, no evento, como é comum no Brasil, mais uma vez, esquecemos as crianças, sua presença, sua curiosidade e seus interesses… Continuamos esquecendo as futuras gerações como se elas não fossem também protagonistas de mudanças nesse país. Por que não deixamos as crianças e mais jovens participarem da anarquia? Poderíamos pensar ainda nos mais velhos, onde estão os mais velhos? Não morreram…

Além de participar da montagem do espaço com as generosas pessoas que organizaram e tornaram possível o evento, de comprar livros que atiçaram minha curiosidade, participei de alguns bate-papos programados e ocorridos na feira.

Participei de conversas sobre gêneros, ou sobre a inexistência desejável deles, numa discussão anarcoqueer. E ficou a impressão que, apesar das críticas à sociedade capitalista e à heteronormatividade, com as quais concordo, estava surgindo uma outra forma de normatividade que conjuga amor livre e o queer, apontando como suspeitos e indesejáveis e autoritárias quaisquer expressões de performance sexual-amorosa hetero e monogâmica. Vi posturas intolerantes e autoritárias, deixando de lado afetividades e o fato de que xs amantes devem ser livres e não os modelos de relacionamento… Vi, o que me deixou perplexo, anarquistas utilizando, sob a sombra de autores pós-modernistas, como Foucault e Deleuze – os quais não consigo sequer qualificá-los de libertários, com suas filosofias conformistas – metáforas(?) com a temática das máquinas para seres humanos. O luddismo sexual que pregavam não quebrava as formas sociais que fazem xs humanxs serem tratadxs como máquinas, serem máquinas, queriam apenas trocar os programas. Programas? Era uma redução do humano em nós à mera performancidade sexual. Falavam abertamente em (re)programação, numa filosofia político-sexual para lá ruim… E quando questionadxs sobre as contradições sobre as quais se inclinavam tão respeitosamente achavam suficiente e aclarador dizer que a negativa à contradição era uma coisa nascida a partir do século 18… Como se coerência entre ideias, de discurso, entre vida e teoria, fosse uma exigência apenas do século 18 e, além do mais, necessariamente autoritária. Essa sexualidade des-afetiva se tornou um tema centralizador e aprisionante para aquelas pessoas… A sexualidade e seus desdobramentos existenciais e sociais não eram mais apenas uma de tantas questões que nós anarquistas nos propusemos a pensar e viver. Uma armadilha…

Também estive em outros dois bate-papos, com três temas históricos para o movimento anarquista: luta antimanicomial, luta antiprisional e educação libertária. Os três temas tinham algo em comum: ficou claro a impotência e falta de propostas de ação de nossa parte, anarquistas. Nossa criatividade social é escassa e tem insistindo em velhos caminhos… Há também um recuo histórico, assim como não dizemos mais, por esse país, “não vote” e dizemos “vote nulo”2, não dizemos mais “pelo fim das prisões”, mas pelo “abolicionismo penal”. Ambas as fórmulas dizem o mesmo? Creio que não… Para muitos, não se fala mais em abolir prisões, manicômios, quase se fala em melhorias, ou se fica nas nuvens das abstrações ancoradas APENAS em imaginárias microrrelações expostas em frases como essa “nós, anarquistas, deveríamos pensar como tratamos os loucos”. Vc conhece algum/a louca? Nem eu. Esses rótulos ainda têm pertinência para nós?

Nesse miolo todo, tratou-se da violência presente entre nós anarquistas, violência de gênero – homens batendo em mulheres – e violência sexual. Contou-se um caso ocorrido, recentemente, na cidade de Curitiba de um anarquista(?) ter batido em sua companheira. “Que fazer?” era a pergunta. E mais uma vez a impotência das respostas esteve presente. Não sabemos autogestionar nossa própria violência e caímos em fórmulas vagas de não-violência. Ou será que xs anarquistas acham que, se um dia, conseguirmos criar amplamente anarquias, isto é, sociedades anarquistas, isso por si só, como um sopro, espantará nossa violência? Não conseguimos dar conta dela nem no nosso gueto!!!

Anarquistas deste país, no ano que vem, entra em vigor a lei antiterrorismo, estamos preparados? E, nesta famigerada lei, se será enquadrado por muito pouco como terrorista… Como faremos se formos para as prisões? Os presos têm dado demonstração efetiva de estarem se organizando politicamente, o que é bom, mas já perceberam que tipo de política? Tão opressora e hierárquica quanto a política do estado… Como lidaremos com isso lá dentro? Se, obviamente, sairmos de nossa cordeirice… E aqui fora, como formularemos nossa solidariedade com os de dentro?

Não tenho respostas para muitas dessas questões e sim a disponibilidade de diálogos, saindo das nuvens, e, penso yo, que apenas assim poderemos reativar nossa criatividade existencial e social e criarmos volume libertário nessa sociedade brutal, prisional e desigual.

São tantas perguntas que o meio anarquista brasileiro não tem sequer pensado ou tentado respondê-las… Sinto por nossa impotência!

Rodrigo C. Gagliano

1 Esse texto é inspirado pelo sentimento (re)vivido pela minha participação na 3ª Feira do Livro Anarquista de Porto Alegre e pela minha experiência como anarquista. É um texto impressionista, porém, talvez, toque em coisas importantes. Se aponto o dedo para xs anarquistas neste país, aponto também para mim mesmo…

2 Tem se argumentado que não votar trás problemas burocráticos no trabalho, para viajar, etc. Se não somos capazes de enfrentar isso, seremos capazes de quê? Isso pode pedir falsificações de documentos ou, quando muito, quando é mesmo muito necessário, pagar uma irrisória multa ao estado por nossa desobediência, porém, teremos marcado a mesma nas eleições…

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Dec 27 2012

Relato 3ª FLAPOA – Ação Antissexista

Published by admin under 3a Feira - 2012,Relatos

A Feira do Livro Anarquista de Porto Alegre vem acontecendo anualmente desde 2010, e neste ano chegou a sua terceira edição consecutiva.

A Feira foi bastante interessante, e bem diferente por ter acontecido num espaço público. Nas nossas reuniões até decidirmos pelo Gasômetro, a opinião geral de todos os coletivos envolvidos, era de fortalecer os espaços anarquistas da cidade, por isso a dúvida entre estes espaços e um espaço público gestionado pela prefeitura. O limite de espaço físico e outras questões nos fizeram optar pelo Gasômetro, um centro cultural. Tirado isso, com questionamentos e crítica, passamos a ver as vantagens, uma delas a do acesso ao anarquismo para todxs. Muito além de uma palavra ou teoria, este acesso se mostrou verdadeiro na prática, muitas pessoas que por ali circularam, e embora muitas sem intenção de irem à feira, acabaram entrando em contato com o anarquismo, participando de alguma forma, simpatizando ou mesmo não concordando.

As bancas com livros, zines, revistas e materiais diversos se propuseram mais do que à exposição, mas à interação e muito debate, ao fluxo de pessoas e idéias, e às impressões com tudo isso, como espaços assim costumam ser. As oficinas rolavam nos arcos, uma extensão do espaço das bancas, e no píer, com muito calor e vento.  Foi bonito de ver e participar deste ambiente, meio caótico, intenso, barulhento e por isso mesmo necessário, pra mexer com o conforto e o previsível.

Houveram duas oficinas fechadas para mulheres e uma para homens. E isso novamente mexeu com as pessoas, gerou discussão e desconforto. Bem, oficina para mulheres sempre é questionada, tratada como algo sectário. A sociedade é sectária, nos divide em seres binários, bipolariza nossas ações, sentidos e emoções em função de gênero, e é por isso que precisamos nos organizar muitas vezes entre nós mesmas para decidirmos pelos problemas das quais apenas nós passamos, para não dizer sofremos. Desta forma, proporcionamos e incentivamos que sejamos as agentes das decisões que dizem respeito a nós somente, coisa que a sociedade não nos incentiva a fazer, pelo contrário, padroniza que nossas vidas estejam nas mãos de nossos pais, irmãos, maridos e também filhos (mostrando quanto o sistema de hierarquias é flexível), sendo eles os que “sabem o que é melhor para nós”, tomando decisões que nos dizem respeito.

A oficina para homens foi menos questionada, mas ainda assim com alguns olhares tortos. Algumas oficinas somente para homens têm intenção de vitimizar os homens e ofuscar os problemas das mulheres, ou mesmo ser uma “resposta” ao feminismo – como se o feminismo fosse um assunto isolado, ou que defendesse a superioridade das mulheres – designando que os homens passam por problemas opostos proporcionalmente iguais, ignorando os privilégios dos quais os homens detêm, mesmo quando a seu contragosto.  Que os homens passam por problemas de gênero, isto é inegável, mas de um ponto de vista privilegiado, o que difere bastante as experiências que vivem, mesmo que nem sempre positivas. Não foi o caso desta oficina, que pelo contrário, propôs a desconstrução da masculinidade e reflexão dos privilégios masculinos.

Ainda sobre as questões de gênero, das quais nosso coletivo propõe trazer para o debate como parte da luta anarquista, nossa banca foi bastante freqüentada por aquelxs que se afinizam e se interessam pelo anarcofeminismo, e tivemos a oportunidade de conversar bastante e conhecer pessoas e coletivos, o que sempre nos deixa muito motivadxs. Alguns homens porém  a repudiaram. Não digo pessoas porque foram alguns homens apenas que na feira criticaram o conteúdo anarcofeminista da nossa banca, ou que expuseram isso, talvez porque os homens se sintam mais à vontade de fazerem críticas, ou porque de alguma forma sentiram ameaçadas suas crenças. Muitas das interações foram no sentido de explicarmos o porquê das nossas reivindicações e fomos acusadxs de nos focarmos numa coisa só. Pra começar nós não estamos focadxs numa coisa só, pelo contrário, a intenção é incluir o feminismo como questão fundamental na luta por igualdades, nós realmente não acreditamos em anarquismo sem feminismo. É muito cansativo ver que ainda existe a idéia tão marxista de que temos que esquecer as diferenças e nos unirmos por uma causa “mais importante”- neste caso a anti-civilização. Por que haveríamos nós de deixarmos de lado os males que nos afligem?  Quem decide qual causa é mais importante para quem, x oprimidx ou quem tem o poder em suas mãos para oprimir? As distintas lutas ao contrário de se divergirem se conectam. Não pode ser mais incoerente reivindicar “união” por uma causa – que alguém julga mais importante – porque ela afasta, ela não mostra compaixão ou companheirismo, ela se disfarça em união com o único propósito de que esqueçamos das nossas lutas específicas, do tratamento e oportunidades diferenciados que temos, para nos transformarmos em massa de manobra. A solidariedade é uma das questões mais importantes do anarquismo, se não sabemos nos solidarizar, se não podemos compreender as dificuldades pelas quais não passamos e as reivindicações que surgem dessas dificuldades, estaremos sendo insensíveis e incoerentes enquanto anarquistas. A solidariedade derruba dogmas e instituições, as ameaça e enfraquece, por isso se diz que a solidariedade é uma arma.

Mas podemos dizer que muito mais foram as pessoas que se interessaram positivamente, muitxs foram xs que gostaram das bancas, materiais e das oficinas sobre gênero e que comentaram que estavam entusiasmadxs por verem na feira o feminismo tão presente.

A Feira rolou intensa. Importante dizer que mais uma vez foi fundamental a colaboração das pessoas que vieram de outras localidades, diversificando o espaço e tornando-o mais atrativo, além de propiciar os intercâmbios diversos. A feira aconteceu, e nos faz refletir de sua importância quanto a um espaço para encontro, troca e difusão das idéias libertárias. Que as feiras anarquistas continuem se espalhando pelo mundo.

Enila Dor.
ação anti sexista
26.12.2012

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Dec 27 2012

Compartilhando impressões da 3ª FLAPOA

Seja bem vindx à 3ª Feira do Livro Anarquista

A 3ª Feira do Livro Anarquista de Porto Alegre aconteceu nos dias 16, 17 e 18 de novembro, na Usina do Gasômetro, com a realização de várias atividades, oficinas, bate-papos, filmes, festa e conversas. Mais uma vez, foi um espaço super importante para propagar as ideias e as práticas anarquistas, permitindo o encontro de pessoas vindas de diferentes lugares – São Paulo, Florianópolis, Curitiba, Brasília, Buenos Aires, Uruguai, Espanha, França e provavelmenta mais alguns que não ficamos sabendo – estabelecendo contatos, redes e ideias para continuar nossas atividades libertárias.

Algumas das pessoas que vieram prestigiar e contribuir com a FLAPOA deste ano, são pessoas envolvidas com o anarquismo há muitos anos, e que participaram de ações há algumas décadas atrás. Elxs nos ensinaram sobre a importância de ter registro das atividades que fazemos, e guardar isto para passar para as próximas gerações. Então convidamos todxs aquelxs que participaram da 3ª FLAPOA a compartilhar conosco suas impressões, seus comentários, suas fotos, suas críticas.

Mande seu texto/foto/desenho/ideia  sorbe a FLAPOA para o email flapoa[a]libertar.se para compartilharmos aqui e continuarmos trocando, aprendendo e nos conectando mesmo depois da feira. Àquelxs que propuseram oficinas e bate-papos, pedimos que compartilhem materiais sobre o tema que propuseram, para que as pessoas que não puderam participar, possam acessar essa infromação por aqui.

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Nov 20 2012

Aconteceu na 3ª FLAPOA

Published by admin under 3a Feira - 2012,Fotos,Relatos

Lançamentos de livros da Editora Deriva: Apoyo Mútuo (Kropotkin), De amor e anarquia (várixs autorxs), Hakim Bey 3: Milenio, Agenda Deriva 2013

Lançamentos Editora Deriva

Leituras libertárias

Espaço Zine promovido pelo Espaço Libertário Moinho Negro, com máquina de xerox para você levar quantos zines quisesse, e bate-papo e oficina sobre zine

Espaço Zine Moinho Negro

Propagando o anarcopunk

Filme e bate-papo sobre o jornal O Inimigo do Rei

Recuperando a memória anarquista

Banquinhas com material da Federação Anarquista Gaúcha

Banquinhas com material da Federação Anarquista Gaúcha

Arriba los que luchan

Banquinha com zines do coletivo anarca-feminista Ação Antisexista, e bate papo sobre estratégias de mobilização e propagação anarcafeminista.

Coletiva Anarcafeminista Ação Antisexista

Banquinha com zines, tinturas, e material do Bosque

Banquinha com zines, tinturas, e material do Bosque

Autonomia e vivência

Lançamento do livro Ética Amatoria del Deseo Libertario y las Afectacione Libres y Alegres, de Ludditas Sexxxuales

Lançamento do livro Ética Amatoria del Deseo Libertario y las Afectacione Libres y Alegres, de Ludditas Sexxxuales

Questionando a heteronormatividade

Bate-papo sobre comunalismo libertário enquanto estratégia anarquista de transformação social, puxado, entre outrxs, por colaboradorxs do Protopia e inspiradx também na iniciativa do Open Source Ecology

Bate-papo sobre comunalismo libertário enquanto estratégia anarquista de transformação social, puxado, entre outrxs, por colaboradorxs do Protopia e inspiradx também na iniciativa do Open Source Ecology

Construindo autonomia

Bate papo sobre abolicionismo penal e luta anti-manicomial, puxado pelo Coletivo Desencadeia

Bate papo sobre abolicionismo penal e luta anti-manicomial, puxado pelo Coletivo Desencadeia

Libertar-se das prisões

Sorteio da anarcobici do Espaço Deriva

Sorteio da anarcobici do Espaço Deriva

Mobilidade, liberdade, autonomia

Crianças na FLAPOA

Novas gerações aprendendo anarquia

Bom humor com provocação

Bom humor com provocação

Confira mais fotos da 3ª Feira do Livro Anarquista: Continue Reading »

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Dec 18 2011

2ª FLAPoA e Dissidência Muzikfesto//Relato por Ação Antisexista

Published by admin under 2a Feira - 2011,Relatos

2ª Feira do Livro Anarquista de Porto Alegre

Por Ação Antisexista

No mês de novembro rolou a segunda edição da Feira do Livro Anarquista aqui da cidade. Foram meses de construção coletiva que resultaram em 4 dias intensos, de exposição de livros, de debates e oficinas, de troca e convivência entre todxs que participaram. Neste ano a feira aconteceu simultaneamente em dois locais, o Espaço Libertário Moinho Negro,onde aconteceram as oficinas, a maioria dos bate papos, os almoços e também alojamento, e a Travessa dos Venezianos onde está situada a sede da Federação Anarquista Gaúcha na qual se concentraram as banquinhas e onde ocorreram também as intervenções artísticas.

Em relação à edição da FLAPoA de 2010, vivenciamos um grande crescimento na participação de coletivos e individuxs de outras localidades do Brasil e do mundo, tanto como expositorxs e proponentxs de atividades, quanto na organização efetiva da feira, tomando parte nas comissões e absorvendo responsabilidades. Essa maior participação na pré-construção da feira auxiliou muito os coletivos locais, ampliando nossos horizontes e introduzindo novas experiências de organização, mas trouxe também um desafio em termos de comunicação e horizontalidade com distâncias tão grandes nos separando.

Abrindo com uma celebração na sexta-feira, dia 11 de novembro, com a apresentação de Animinimaldita (Arg), Minininha Pirracenta (BH) e Front Liberdade e Rima (PoA) a 2ª edição da FLAPoA seguiu sua programação até o dia 14. Rolaram bate-papos e oficinas sobre o Punk e a Contribuição para o Anarquismo, Fascismo e Antifascismo na Atualidade, Estratégias Anárquicas de Transformação, Saúde Feminina, Autonomia do Corpo: Pompoarismo e Dança, O Anarquismo e as Prisões Hoje, a Luta Libertária na Europa no Contexto Atual, Gestão de Espaços Libertários, Yomango, entre muitas outras, além de intervenções teatrais do Grupo T.I.A., do grupo Cambada de Teatro em Ação Direta Levanta Favela! e também da Federação Anarquista Gaúcha, e, obviamente, exposição dos livros e materiais das editoras Deriva, Imprensa Marginal, Faísca, Imaginário, Achiamé, Madre Selva, L-Dopa e outras mais.

Alguns problemas surgiram ou se mostraram presentes: o cancelamento da participação de alguns coletivos proponentes foi um deles, a solução foi remanejar os horários das atividades e propor atividades de ultima hora ou que tinham sido deixadas de lado durante a construção da feira. Acabou dando certo. Outro problema que se mostrou presente foi de rixas locais darem espaço para atitudes que ao nosso ver atrapalham a horizontalidade e liberdade. Mas a troca de experiências, de idéias e a vivência nos 4 dias foram motivadoras, construtivas e prazerosas.

Dissidência Muzikfesto

A idéia do festival surgiu do fato de que vários dos coletivos participantes também tocam em bandas, a oportunidade de encontro permitiu a construção do festival. Assim a contra cultura teve espaço para se manifestar em forma de som, expressão, e também de exposição de zines e outros materiais punks/anarcopunks. Houveram no festival também alguns problemas mas que foram superados. O primeiro deles foi de que algumas bandas cancelaram sua participação, e como tínhamos marcado 2 noites de festival por razão do numero de bandas os 2 dias não seriam mais tão necessários. O segundo problema foi que na primeira noite do festival ao chegarmos no local surpreendentemente estava já acontecendo um outro evento… questionamos a organização do local, mas muito mais a nossa organização, visto que foi difícil acreditar que aquilo estava acontecendo. Então descobrimos que é uma ocorrência comum naquele espaço. A solução que arranjamos foi de todas as bandas tocarem na noite seguinte, por sorte quem sabe, visto que o numero de bandas diminuído não faziam mais necessárias as 2 noites. Todxs participantxs e também o pessoal que veio para assistir o festival se mostraram muito compreensivxs. Conversamos sobre a falta de espaços autônomos para gigs e alguns problemas de se fazer som em bares. Dentro da realidade atual aqui da cidade, este bar é o mais interessante, e embora sujeitxs a situações como esta, temos uma certa abertura, as donas do espaço não cobram aluguel, tirando seu lucro apenas das bebidas e lanches que elas vendem. Isto juntamente com o equipamento ter sido cedido por um amigo, tornou possível dividirmos toda a bilheteria entre as bandas não locais. O festival contou com as bandas de fora Nieu Dieu Nieu Maitre, Revolta Popular e Gracias por Nada, e as locais, Digna Rábia, Conduta Destrutiva, Vapaus, Front Liberdade e Rima e Ferida (banda do nosso coletivo). A noite fechou a feira com muita celebração, som e troca de idéias.

A feira e o festival possibilitaram novas amizades e interações com pessoas que vivem distantes… o companheirismo, as descobertas de afinidades, e o estreitamento de relações entre amigxs mais próximxs também. Pensamos que isso fomenta as relações anarkikas e ajuda a divulgar o anarquismo e a contra cultura. Que continuemos construindo e resistindo

!Liberdade! Anarquia! Feminismo!

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Dec 03 2011

Curta-metragem da 2a Feira do Livro Anarquista de Porto Alegre

II Feira do Livro Anarquista de Porto Alegre

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Nov 18 2011

Um relato sobre a 2ª Feira do Livro Anarquista de Porto Alegre

Por Imprensa Marginal

Entre os dias 11 e 14 de novembro, aconteceu a 2ª Feira do Livro Anarquista de Porto Alegre (RS), com debates, palestras, oficinas, apresentações teatrais, música, vídeos, e exposição de livros e materiais libertários. A abertura da Feira aconteceu no espaço libertário Moinho Negro na noite do dia 11, com uma festa regada a cerveja artesanal produzida por companheiros de Porto Alegre, e apresentação de Animinimaldita (projeto que une voz, violão, vídeo e debate), Front Liberdade e Rima (anarcorap) e Minininha Pirracenta.

A presença de pessoas de diversas partes – Rio Grande do Sul, Santa Catarina, São Paulo, Brasília, Rio de Janeiro, Minas Gerais, entre outros -, propiciou dias intensos de troca de experiências, contatos e idéias, e muitas das atividades que ocorreram durante a Feira foram propostas por pessoas de outras localidades. Em relação à primeira edição da Feira, do ano passado, foi perceptível um grande aumento da participação e apoio de pessoas vindas de outros lugares e isso se refletiu diretamente na quantidade e diversidade das temáticas discutidas nos debates e oficinas.

As atividades se dividiram entre os espaços Moinho Negro e FAG (Federação Anarquista Gaúcha), enquanto a exposição e venda dos livros acontecia em frente ao espaço da FAG, na Travessa dos Venezianos, com bancas de materiais de grupos como a editora Deriva, Imprensa Marginal, Imaginário, Ativismo ABC, FAG, MAP-SP, entre outros. A rua foi ocupada ainda por apresentações teatrais da Cambada de Teatro em Ação Direta Levanta Favela, Grupo Tia e FAG.

Embora algumas das atividades do cronograma que foram inicialmente propostas tenham sido canceladas pelo fato de alguns proponentes que viriam de outros Estados não terem aparecido, novas propostas surgiram no decorrer da Feira. Durante os três dias aconteceram oficinas de saúde feminina; yomango; autonomia do corpo; exibição do documentário “Sagrada Terra Especulada” e debate sobre o Santuário dos Pajés (DF); debate sobre gênero; espaços libertários; o punk e a contribuição para o anarquismo; movimento squatter; anti-fascismo na atualidade; anarquismo e prisões; bate-papo com as editoras libertárias; luta libertária na Europa no contexto atual; apresentação do livro “Culturas de Resistência – Anarquistas e Anticlericais em Santa Catarina” e do editorial “Mas que Palabras”; geografia e pensamento libertário; análise conjuntural de 9 anos do PT no governo, rearticulação das organizações de direita e estratégias de luta libertária neste contexto; entre muitos outros temas. Alguns dos debates foram transmitidos ao vivo pela rádio Cordel Libertário.

Ainda como parte das atividades da Feira, a noite do dia 14 fechou a jornada com o festival Dissidência Musikfesto no Entrebar, que mantendo a característica presença de companheiros de diversas partes, contou com apresentação das bandas Gracias Por Nada (Brasília), Nieu Dieu Nieu Maitre (Curitiba), Revolta Popular (São Paulo), Ferida (Porto Alegre), Conduta Destrutiva (Porto Alegre), Vapaus (Porto Alegre), Front Liberdade e Rima (Porto Alegre) e Digna Rabia (Porto Alegre).

Dando sequência às Feiras do Livro Anarquista em outras regiões, já está programada a 2ª Feira de São Paulo, em dezembro deste ano, e companheiros de Florianópolis estão articulando a organização de uma feira local para o ano que vem.

por Imprensa Marginal – Editora e Distribuidora Anarcopunk

agência de notícias anarquistas-ana

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Nov 21 2010

1ª Feira do Livro Anarquista de Porto Alegre

banca deriva7 A I Feira do Livro Anarquista foi um sucesso, e queremos agradecer a todxs que participaram e ajudaram a fazer com que a proposta desse evento e do espaço dessem muito certo.

A quantidade de pessoas que estiveram presentes, e principalmente seu entusiasmo e empenho, reforçou a ideia de que é necessário fazer mais atividades que juntem os anarquistas espalhados pela cidade, pelo estado, pelo país, enfim, pelo espaço, por aí.

Na I Feira do Livro Anarquista teve espaço para trocas ideia sobre e a possibilidade de adquirir livros, que é a proposta central de uma feira do livro. Mas também rolaram as oficinas e bate papos, nas quais muita gente participou, contribuiu, trouxe suas reflexões e práticas. Todos esses momentos, e também as conversas por aí,  serviram para trocar conhecimentos e construir novas redes.

pastinhas2 Rolou comida vegana ao longo de todo o encontro, e todxs ficaram bem alimentadxs! Foi muito bom que pedimos contribuição espontânea para todas as refeições, e ficamos muito satisfeitos de comprovar que conseguimos cobrir os gastos da comida e levantar um pouco de dinheiro para fazer melhoras no espaço e poder organizar outros encontros e eventos.

Convidamos a todxs que queiram a se aproximar dos coletivos que ajudaram a construir a feira, através do Espaço Moinho Negro. Quanto mais gente somar conosco, poderemos construir uma II Feira do Livro Anarquista ainda maior, com mais editoras e atividades.

Pedimos que quem tiver mais fotos compartilhe conosco, coloque o link nos comentários, que publicamos como post. Também pedimos que quem participou da Feira poste aqui seu comentário, suas impressões, elogios, críticas, sugestões.

feminismo2 Na seção Fotos deste site, podem ver imagens de diferentes lentes que fomos juntando aqui. Se você compartilhar as suas, elas virão parar aqui também, para que outras pessoas possam saber o que aconteceu em Porto Alegre. Também tem fotos no Flickr do pessoal do coletivo Ação Antissexista, onde também aparecem outras atividades nas quais esse coletivo participa. O blog Simplicíssimo também teve publicação sobre a Feira.

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